Defesa pede que jurados "estendam a mão" a acusado de canibalismo

Defensora pública Tereza Joacy, responsável pela defesa de Jorge, começou a apresentação para os sete jurados rezando a oração de São Francisco

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Todas as vítimas, segundo as investigações, seriam mulheres
WENYSON AUBIERGIO/AE - 11.4.2012
Todas as vítimas, segundo as investigações, seriam mulheres

Os defensores do trio que confessou a prática de canibalismo em Pernambuco tenta na tarde desta sexta-feira (14) convencer os jurados a atenuar a pena que deve ser aplicada a Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, 52, Isabel Cristina Torreão Pires, 53, e Bruna Cristina Oliveira da Silva, 28, neste segundo dia de júri popular no fórum de Olinda, região metropolitana do Recife.

Os três são acusados pelo homicídio quadruplamente qualificado de Jéssica Camila da Silva Pereira, 17, em Olinda, e de Giselle Helena da Silva, 31, e Alexandra da Silva Falcão, 20. Eles estão presos desde 2012, quando os crimes foram descobertos.

Agora, eles estão sendo julgados apenas pela morte de Jéssica. O julgamento do assassinato das outras duas vítimas ainda não tem data para ocorrer.

Segundo a acusação, os três mataram, esquartejaram e comeram partes do corpo da vítima. Dois dos três réus disseram que a filha de Jéssica, uma menina que à época tinha um ano, também comeu a carne da mãe, morta em decorrência de um corte de faca no pescoço.

A defensora pública Tereza Joacy, responsável pela defesa de Jorge, começou a apresentação para os sete jurados rezando a oração de São Francisco. Em seguida, defendeu a tese de semi-imputabilidade, alegando que Jorge tem problemas mentais e que não houve o agravante de "meio cruel", já que, segundo a defesa, Jéssica já estava morta quando foi arrastada e esquartejada. "Se puderem, estendam uma mão a Jorge", disse a defensora aos jurados.

Os defensores de Isabel e Bruna sustentam a tese de que as duas agiam por temor a Jorge, apontado por eles como uma pessoa agressiva. O advogado de Isabel, Paulo Sales, disse que Jorge era um "homem desequilibrado, dominador" e citou a síndrome de Estocolmo, em que a vítima cria afeição pelo agressor.

Os dois viveram juntos por 30 anos, inclusive depois que Jorge levou Bruna para casa e passou a se relacionar com as duas. "Isabel criou idolatria e medo de Jorge", afirmou, acrescentando que ela foi coagida.

Apesar de Isabel ter negado, o defensor dela afirmou que a mulher entregou a Jorge a faca utilizada no crime, mas alegou que ela não matou nem carregou o corpo. Por isso, pediu a exclusão da culpabilidade de Isabel.

Já Rômulo Lyra, advogado de Bruna, disse que ela era "uma vítima em potencial" de Jorge que foi seduzida pelo réu. A defesa também citou a agressividade de Jorge e alegou que ele "exerceu poder" sobre Bruna.

Os três réus acompanharam os pronunciamentos da Promotoria e da defesa sentados lado a lado. Jorge tinha o olhar vago, enquanto Isabel chorou diversas vezes. Já Bruna aparentava tranquilidade e reagiu com sorrisos a provocações da promotora Eliane Gaia. Os três prestaram depoimentos na tarde desta quinta-feira (13), com várias contradições.

Promotoria e defesa ainda têm direito a réplica e tréplica. Só depois os jurados se reunirão e responderão a questões da juíza titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Olinda, Maria Segunda Gomes de Lima. O julgamento deve terminar na noite desta sexta-feira (14).

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave