O Nordeste de Elba Ramalho

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Elba Ramalho volta a BH para celebrar Luiz Gonzaga e o nordeste em show que marca seus 35 anos de carreira
CRIA S/A/divulgação
Elba Ramalho volta a BH para celebrar Luiz Gonzaga e o nordeste em show que marca seus 35 anos de carreira

Assim como Luiz Gonzaga (1912- 1989) saiu de Exu, no interior de Pernambuco, e foi fazer carreira em Recife, Elba Ramalho também saiu da pequena Conceição, nos confins da Paraíba, para tentar a vida no Rio de Janeiro. A trajetória do sertão para o mar é tão comum ao nordestino quanto aos dois artistas que, cada um a seu tempo, tão bem expressaram em suas canções a alma do sertanejo. Então, como não podia deixar de ser, o sertão e o mar estão presentes nos dois atos que compõem o espetáculo “Cordas, Gonzaga e Afins”, uma celebração ao Rei do Baião e aos 35 anos do lançamento de “Ave de Prata”, o debute de Elba, que chega a Belo Horizonte na próxima sexta-feira (21). “Certamente, todo nordestino já viveu ou se identificou com as paisagens, tristezas e alegrias que Gonzaga cantou”, comenta a cantora, que tem em suas mais remotas lembranças a imagem do pai cantando para ela a valsinha “Dúvida”, também uma composição do Gonzagão. Essas memórias afetivas relacionadas ao compositor, que tanto serviu de inspiração para vários outros nomes da música brasileira, foi o mote para a construção do repertório de 22 canções que procura contemplar também a passagem do sertão para o mar. “A fonte é Luiz Gonzaga. Trazemos compositores que beberam desta fonte e criaram canções que fazem parte de seu universo”, explica Elba. Afins Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Alceu Valença e Chico César estão entre os “afins” do título do espetáculo. O “Gonzaga” dispensa explicações, enquanto o “cordas” remete a um caso divertido que Margot Rodrigues, a produtora e idealizadora do show, se alegra de lembrar. “Estava em Exu e não tinha onde ficar. Soube que Seu Luiz estava na cidade e pedi um abrigo por aquela noite. Ele disse que para uma moça bonita cederia o melhor quarto da casa, a cama de Seu Januário. Até hoje nunca conheci ninguém que tenha dormido na cama do famoso patriarca”, conta Margot. Depois disso, para ela, só com cello e violino para agradecer o generoso gesto. As cordas, portanto, ficaram por conta do quarteto Encore e o grupo instrumental pernambucano SaGRAMA, responsável pela trilha sonora da minissérie “O Auto da Compadecida” também divide o palco com Elba. A cantora, que começou sua carreira como atriz, apresenta ainda seu veio dramático através da interpretação de textos de Newton Moreno e João Cabral de Melo Neto. “Eu sou atriz, uma atriz que canta. Então, o diretor do espetáculo me deu espaço para extrair mais dramaticidade dos textos e de algumas canções. É um show longo, trabalhoso e muito bom de fazer!”. Para dar conta do recado, a artista multifacetada se exercita, corre na areia fofa, pratica ioga, levanta peso. E em meio a tanta atividade, medita. “Tenho meus momentos diários dedicados para a oração e também faço aulas de canto para me aprimorar”, conta ela. “Cordas, Gonzaga e Afins” vai resultar em um DVD gravado no Recife e, enquanto ele não sai, Elba finaliza seu mais novo disco “Do Meu Eu para Fora”. O lançamento, que também marca os 35 anos de estrada, conta com produção de seu próprio filho Luã Mattar, trabalhando pela primeira vez com a mãe, e composições de Zélia Duncan & Dani Black (“Só Pra Lembrar”), Marcelo Jeneci e outros. Cordas, Gonzaga e Afins Com Elba Ramalho Sesc Palladium (r. Rio de Janeiro, 420, centro, 3270-8100). Dia 21 (sexta-feira) às 21h. R$ 100 (plateias 1 e 2, inteira) e R$ 80 (plateia 3, inteira).

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