E agora, presidente?

iG Minas Gerais |

A presidente Dilma Rousseff pode ter muitos problemas se demorar muito mais tempo para definir o que pretende em sua segunda gestão. É preciso lembrar que ela, durante a campanha à reeleição, fez análises otimistas em relação à economia brasileira e, embora tenha admitido a necessidade de ajustes – inclusive fiscal –, garantiu que o brasileiro não sofreria grandes impactos. Ao contrário, a candidata Dilma Rousseff afirmou que a vida do brasileiro vai melhorar. A promessa poderá ser cumprida plenamente. Desde a eleição, pouco tempo se passou e, certamente, haverá momento para que a presidente consiga implementar as mudanças que julgar necessárias. A questão é que o começo não está muito bom. Aumento do preço do combustível e anúncio da revisão de cálculo de meta fiscal não são medidas boas para a população e para o mercado. O reajuste no preço da gasolina já era esperado mas, ainda que não seja uma catástrofe, sempre desencadeia uma série de outros aumentos de preços – espacialmente no setor da alimentação – e gera inflação. É tudo que o governo não queria para este fim de ano. Já essa mudança no cálculo da meta parece ser mais grave. Não há uma leitura para isso diferente de manobra para ajustar contas do governo. O governo federal vai desrespeitar a meta que ele próprio estabeleceu. Em outras palavras: gastou demais e arrecadou menos do que o necessário para honrar seus compromissos. Aí, pede agora, ao gerente de seu banco, para ampliar o limite do cheque especial para sair do vermelho. É assim, simples assim. Caso o governo consiga aprovar no Congresso – onde a popularidade de Dilma não anda em alta – o projeto que permite uma série de abatimentos na conta da meta fiscal, ele sairá do vermelho no papel e apenas no papel. Na prática, nada vai mudar, a situação vai continuar difícil. E, tal como qualquer cidadão que contrai uma dívida para pagar outra (vende o almoço para comprar o jantar), o governo vai ver a bolha estourar. Mas deve haver medidas que possam ser tomadas para evitar esse caos. O problema é que o governo ainda não sinalizou nada em relação a eventuais iniciativas para melhorar a economia. Aliás, a presidente não veio a público, exceto em entrevistas que muito pouco revelaram. Disso tudo, é possível imaginar que ela não tem um plano de governo. Ou pior, talvez tenha muitos e não saiba para que lado correr. Enquanto isso, na “sala da justiça”, uma meia dúzia de super-heróis planejam salvar a economia do país mergulhados nas vaidades de seus poderes especiais. O período é de insegurança e de decisões. Dizem que a pior coisa que se pode fazer quando não há certeza é escolher precipitadamente um caminho. Mas na política nada é pior do que nada fazer.

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