Paixão por descrição é fantasia

Muitos já sentiram na pele, e a psicanálise confirma: não há uma forma de se prevenir contra uma paixão

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”. Com esse clichê poderíamos resumir a situação vivida pela australiana Aminah Hart. Seu interesse pelo doador anônimo começou logo ao ler sua ficha, antes de saber qualquer coisa concreta sobre ele.  

“Nesse caso, entramos no campo da sexualidade. E a sexualidade é um enigma. A escolha do par amoroso está ligada com a história de vida do sujeito, não é por acaso que essa escolha aconteceu”, afirma o doutorando em psicanálise José Maurício da Silva. Ele ressalta, ainda, que aquilo que atrai uma pessoa pode não atrair outra.

Ele explica que interessar-se somente pela descrição de uma pessoa é possível, pois o sujeito cria uma fantasia – que não precisa corresponder à realidade para despertar o interesse. Essa paixão está muito ligada à idealização que ela fez do pai da criança.

Saber o que levou Aminah a se sentir atraída pelo doador Scott Andersen, porém, é uma tarefa mais complicada. “Precisaríamos escutar o que existe na história dessa mulher para que ela se sentisse atraída por essa descrição (de Scott)”, diz o psicanalista.

Muitos já sentiram na pele, e a psicanálise confirma: não há uma forma de se prevenir contra uma paixão. “Como somos dominados pelo inconsciente, não podemos tomar precauções para não nos apaixonamoa ou nos interessarmos por alguém”, constata Silva.

No caso de Aminah, foi uma sorte a relação ter evoluído para o que ela queria desde o início. Mas Silva adverte que as coisas podem não acontecer assim. “Nem sempre o que se anuncia é o real”. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave