O olhar masculino da autora Martha Medeiros

Com Emílio Orciollo Netto, espetáculo “Também Queria Te Dizer” já fez mais de cem apresentações pelo país

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Proximidade. Ator aposta na construção de intimidade com o público como uma força do espetáculo
Luciana Fregolente / Divulgacao
Proximidade. Ator aposta na construção de intimidade com o público como uma força do espetáculo

Martha Medeiros é conhecida e muito lida por um vasto público feminino que vê em suas linhas traços e semelhanças com suas próprias vidas, premidas por angústias, desafios e histórias muito particulares ao universo das mulheres. Agora, no entanto, a gaúcha revela outra face de seu trabalho, com o espetáculo “Também Queria Te Dizer – Cartas Masculinas”, atração no Teatro de Bolso Júlio Mackenzie, no Sesc Palladium.

Protagonizado pelo ator Emílio Orciollo Netto, o monólogo trata com delicadeza aspectos do masculino que ultrapassam os estereótipos. “É surpreendente para a maioria das pessoas. Não se imagina que a Martha escreva também para o público masculino”, comenta Orciollo Neto.

Dividida em seis partes, a peça problematiza relações entre homens e mulheres, pais e filhos, amigos e irmãos, chefes e funcionários, artistas e imprensa, fé e lei, saúde e doença. “São seis desabafos permeados por medos, mágoas, revoltas e alegrias. Seis depoimentos apaixonados, e confissões que saem das páginas da Martha e são feitos em voz viva. Entre pedidos de perdão, desejos de vingança, revelações bombásticas e surpreendentes, por vezes trágicas ou hilariantes, mas sempre narradas com a sensibilidade da autora”, exemplifica Orciollo Netto. Segundo o ator, a montagem chega a Belo Horizonte com total aprovação de Martha Medeiros. “Ela já assistiu quatro vezes”, conta.

Novidade. Orciollo Netto foi apresentado ao livro de Martha Medeiros, que já vendeu mais de 100 mil cópias, por Victor Garcia Peralta, responsável pela direção do espetáculo. “Eu procurei o Victor, um diretor que admiro já há algum tempo, propondo um trabalho e ele me apresentou o livro da Martha Medeiros. Fiquei fascinado com as cartas masculinas e com a possibilidade de contá-las. Já conhecia a pegada da Martha, mas também não tinha noção desse olhar masculino em sua produção”, contextualiza.

O ator viu na obra a possibilidade de se enveredar em um novo desafio. “Estou comemorando 25 anos de carreira e queria fazer algo novo, diferente. O ator deve estar sempre em movimento, buscando coisas novas. Quis sair de minha zona de conforto. Quando o Victor me mostrou o livro, eu disse: ‘Pronto! É isso que eu quero dizer’. Era um grande pretexto para mergulhar na obra dela”.

Outro aspecto interessante na relação entre ator e diretor foi o fato dos ensaios terem se passado na sala da casa de Peralta, dando uma dimensão de intimidade com o público que é bastante cara ao espetáculo. “Essa é uma peça artesanal, que faço como uma declaração de amor ao ofício do artista”, diz.

E o desejo de fazer algo novo e sair da zona de conforto tem, no fim das contas, alcançado bons resultados: “Também Queria Te Dizer” completará 126 apresentações com as duas que fará na cidade. “Por onde eu passo, o espetáculo tem sido um sucesso. Apesar de ser um monólogo, as pessoas se divertem muito. E o público se identifica. É impossível não ter passado ou não conhecer alguém que tenha passado por alguma das situações”, pondera.

“Considero esse trabalho uma grande homenagem ao trabalho solitário dos artistas. A gente nasce só, morre só e, muitas vezes, vive só. O artista está sempre em processo, e é preciso duvidar de quem vem com resoluções ou respostas. O que é a arte e pra que serve?Sinceramente, não sei. O que sei é que é vital para mim, como um grande desabafo, às vezes sem linearidade, mas com pura intuição e entrega”.

Serviço. "Também Queria Te Dizer – Cartas Masculinas”. Amanhã, às 20h; domingo, às 19h, no Teatro de Bolso Júlio Mackenzie, Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro). Ingressos: R$ 50 (inteira)

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