Mais louco é quem me diz e não é rebelde

Vencedor dos cinco principais Oscars, “Um Estranho no Ninho” é alegoria da rebeldia da contracultura setentista

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Ídolo da juventude da época, Nicholson fez de McMurphy ícone da rebeldia
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Ídolo da juventude da época, Nicholson fez de McMurphy ícone da rebeldia

É quase inacreditável imaginar hoje que, ao final de sua passagem pelos cinemas, “Um Estranho no Ninho” havia se tornado a sétima maior bilheteria de todos os tempos. Em uma época em que apenas explosões, homens de sungas coloridas e bichinhos falantes atraem o grande público às salas, o longa sobre o duelo entre a liberdade da contracultura e o autoritarismo do status quo mal passaria pelos multiplexes – muito menos seria um sucesso de bilheteria.

Mas essa era a maravilha do cinema norte-americano nos anos 1960 e 70. Um dos principais exemplares da safra, o longa dirigido por Milos Forman será exibido na mostra “Nova Hollywood – Parte II” neste sábado, às 16h, no cine Humberto Mauro. O filme acompanha a passagem do detento R. P. McMurphy (Jack Nicholson) por uma instituição psiquiátrica, onde ele incita os pacientes a se rebelaram contra a rigidez e as regras arbitrárias da lendária enfermeira Ratched (Louise Fletcher).

O mais interessante de “Um Estranho no Ninho” é que, por mais que representem extremos opostos na revolução cultural que acontecia nos anos 1970, McMurphy e Ratched são produtos um do outro. Um não existe sem seu adversário – eles se definem pela negação do outro. E quanto mais um radicaliza sua postura, mais intensa é a resposta contrária, num cabo de guerra de consequências trágicas e realistas.

Forman ressalta o caráter alegórico desse embate filmando Ratched sempre uniformizada, isolada e na maior parte do tempo sozinha no quadro. Já McMurphy é a pura imprevisibilidade, sempre filmado em função de seu efeito e sua reação ao grupo de pacientes.

Nicholson ganhou o primeiro de seus três Oscars e se tornou um dos grandes ícones da contracultura por sua performance como McMurphy. Fletcher encarou sem vaidade uma personagem que muitas atrizes recusaram e também ganhou o seu – assim como o filme, a direção e o roteiro, fazendo de “Um Estranho” um de apenas três longas vencedores dos cinco principais Oscars (os outros são “Aconteceu Naquela Noite” e “O Silêncio dos Inocentes”). Essa era a maravilha do cinema hollywoodiano dos anos 1970.

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