“Quando Efé” traz diálogo de tradição e cultura hip hop

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Congado, moda de viola e tambores encontram a dança hip hop
Fernanda Abdo / Divulgacao
Congado, moda de viola e tambores encontram a dança hip hop

Dialogar com a tradição das culturas mais antigas e fazer disso uma linguagem contemporânea que lance um olhar atual sobre essas expressões é um caminho pretendido por muitos artistas. Não costuma ser fácil, pois pode soar presunçoso aos tradicionalistas e pode também se mostrar menos potente que a expressão em sua tradicional manifestação. Pois é justamente nesse desafio que se lança a Companhia Fusion de Danças Urbanas, que estreia amanhã o espetáculo “Quando Efé”, no CCBB.

“Nossa ideia é contar e dialogar com a cultura mineira por meio do hip hop, que é a nossa linguagem desde nosso primeiro trabalho. Na verdade, o espetáculo é o hip hop contando essa história”, comenta Leandro Belilo, dançarino, coreógrafo e diretor do espetáculo.

“Quando Efé” busca aproximar manifestações que podem, num primeiro momento, parecer antagônicas, mas que convivem de forma harmoniosa em uma cidade como Belo Horizonte: aqui, o rap, as danças urbanas e as batidas eletrônicas coexistem com modas de viola, com o congado e os tambores mineiros. “O espetáculo é esse encontro. E nossa trilha sonora, composta especialmente (por Isadora e Matheus Rodrigues) para o trabalho, ajuda a contar essa fusão de tradição e elementos da cultura urbana”, pontua o artista.

O processo de criação do trabalho contou com a colaboração de Reinaldo Marques, estudioso de manifestações culturais do Vale do Jequitinhonha. “Nós percebemos que é difícil falar da cultura mineira como um todo, afinal, o Estado é imenso. Existem várias culturas”, ressalta Belilo.

A cultura tradicional e interiorana presente na capital também é lembrada como um dos elementos que estimularam o processo de criação. “Somos todos (na companhia) mineiros, vivemos em Belo Horizonte, mas ainda aqui, a capital do Estado, uma metrópole, com seus ares cosmopolitas, é possível ver essas expressões mais tradicionais, como a moda de viola”, diz.

O nome “Quando Efé” é inspirado nesses rastros presentes até hoje em Belo Horizonte. “Minha avó, minha mãe e minhas tias sempre falam esse ‘quando efé’ que vem de ‘quando dei fé’, que significa ‘de repente’. Eu estava aqui em casa e ‘quando efé’, você me ligou e estamos conversando”, explica Belilo, com um exemplo prático.

Histórico. Com três trabalhos anteriores em seu currículo, a Companhia Fusion de Danças Urbanas surgiu em 2002, a partir da reunião de amigos que gostavam de dançar. O hobby foi ganhando cada vez maior importância, e o interesse pela pesquisa, discussão e divulgação da dança de rua cresceu o suficiente ao ponto da formação do grupo.

O primeiro espetáculo do grupo é “Som”, de 2009, cuja ideia foi desconstruir a dominação da música sobre o movimento, propondo uma dança que dialogasse com a música. Depois veio “Matéria- Prima”, de 2012, que dá continuidade à reflexão do trabalho de estreia, com questionamentos da dança e das motivações que levam as pessoas a pratica-la. Em 2013, a Cia. Fusion estreou seu terceiro espetáculo, “Meráki”, que aprofunda a pesquisa das possibilidades expressivas das danças urbanas. “Nossos processos criativos são todos colaborativos, mas até agora eu sou responsável pela direção desses trabalhos”.

Agenda

O quê. “Quando Efé”

Quando. Amanhã e domingo, às 19h

Onde. CCBB (praça da Liberdade, 450, Funcionários)

Quanto. R$ 10 e R$ 5 (meia entrada)

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