Homem que colocou barraco à venda abandona ocupação

Tentativa de venda foi repudiada pela comunidade; segundo uma das apoiadoras do grupo, os moradores são orientados sobre a importância da luta por moradia

iG Minas Gerais |


‘Fora traidor’.

 Mensagens de repúdio foram colocadas em barracão
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‘Fora traidor’. Mensagens de repúdio foram colocadas em barracão

O homem que colocou à venda um barracão na ocupação Willian Rosa deixou a comunidade.

Segundo uma das apoiadoras da Willian Rosa, Vanessa Portugal, ele deixou a ocupação por conta própria. “Foi um repúdio da própria comunidade”, afirmou.

O barraco na ocupação foi anunciado na internet, pelo valor de R$ 1.500. Quando a reportagem entrou em contato com o vendedor, passando-se por alguém que estaria interessado na compra, ele disse que, para efetuar a transação, seria necessário enganar os líderes da Willian Rosa. “O povo não pode ficar sabendo que tá tendo venda de imóvel lá”, disse o homem, que se identificou apenas como Marcos.

Nessa quarta-feira (5), fotos postadas na página da ocupação na internet mostravam placas com as frases "Falso morador, se vendeu por muito pouco" e "Fora, traidor", que foram penduradas no barracão. “A luta é por moradia e não para ganhar dinheiro vendendo lotes”, diz a mensagem que acompanha as imagens. O texto rechaça a tentativa de um dos integrantes, tratado como “traidor”, de vender uma casa dentro da comunidade.

De acordo com Vanessa Portugal, a situação foi isolada e os moradores seguem sendo orientados sobre a importância da luta por moradia.

Entenda o caso

Um anúncio publicado no site OLX, de comércio online, oferece o imóvel e ainda destaca os “benefícios”, como a possibilidade de receber posteriormente um apartamento do programa Minha Casa, Minha Vida e não pagar por água e luz, já que há ligações irregulares que garantem os serviços.

Na ocasião, o dono do anúncio tem casa própria em outro local, diz que não dorme na ocupação e revela que para concretizar a negociação é preciso enganar até os líderes da ocupação.

Sem nenhum constrangimento, Marcos admitiu que não mora no barracão, mas alerta que se efetuasse a compra teria que dormir lá para garantir o lugar. “Eu já não durmo lá todo dia. Vou de vez em quando. Mas no início é bom que você durma lá sempre. É bom também sempre ajudar o povo que mora lá com doação de cesta básica, ajudar nas manifestações, para conseguir confiança”, explica.

A ocupação Willian Rosa começou no dia 12 de outubro de 2013, com 400 famílias invadindo um terreno da Ceasaminas durante a madrugada.

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