“Fiscalizando” na vida de todos

Carol, como é conhecida, é moradora de Contagem desde seus primeiros dias de vida. Em entrevista exclusiva, ela fala sobre as barreiras já enfrentadas e revela os bastidores do grupo Fiscalizando Contagem, criado por ela. Além disso, conta os planos para 2015 na rede social e na política.

iG Minas Gerais |


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 Carolina Fernandes Leite criou o grupo Fiscalizando Contagem e atualmente comanda a rede
Arquivo pessoal
Facebook. Carolina Fernandes Leite criou o grupo Fiscalizando Contagem e atualmente comanda a rede

Este ano o município de Contagem completou 103 anos. O que ainda precisa ser feito? Pela importância regional de Contagem e pelas imensas dificuldades com os dois últimos anos de perdas, as cobranças são enormes. Apesar do que é feito, ainda falta muito. Precisamos ter uma visão ampla das necessidades da saúde, e quem quer fazer um bom trabalho neste setor tem que saber investir, com um trabalho articulado e bem gerenciado, sem esquecer a valorização do servidor, porque é ele quem está à frente no atendimento ao público, na administração, no cuidado com a cidade. Vale lembrar que a saúde tem que licitar, comprar medicamentos, insumos, equipamentos, fazer manutenção predial e de equipamentos, ou seja, o trabalho tem mesmo que ser bem articulado, senão desanda. E assim em outros setores. Vejo que o povo se sente abandonado, praças e locais de lazer sem o devido cuidado. Alguns secretários não vivem na cidade. O que o povo quer é ser ouvido, é ver o prefeito e seus servidores andando pela cidade e conversando com todos, sem medo de ser feliz.

Como e quando surgiu o perfil Fiscalizando Contagem? O Fiscalizando Contagem surgiu em 2013 tempo depois das eleições municipais em 2013, eu aprendi naquele tempo que poderia muito mais, parei com a mania idiota de enfrentar tempestades, tsunamis, furacões e até mesmo terremotos por quem sequer pula uma poça d'água por mim e segui com projeto maior, envolver a população e ajudar o que não posso, no que parece impossível, porque possível qualquer um faz, e foi isso.

No começo, ainda com poucos seguidores, você imaginava ter essa visibilidade? Na verdade não, mas o mix de petulâncias, de desaforos e de atrevimentos colaboraram muito, eu acredito. Minha essência só transmite o que a minha alma e meu coração pretendem, ”na lata”. E, só pra contrariar ainda mais tais prerrogativas alheias a meu respeito. Concluo dizendo que, minha felicidade me deixa cada vez mais insolente aos que me desafiam com hipocrisias. E levada por essa motivação de mostrar que poderia fazer um trabalho bom, ajudando pessoas e ainda saindo vitoriosa e sem ser esquecida.

Algumas postagens são polêmicas. Como é ser conhecida na cidade dessa forma? Eu sou polêmica? Não penso assim, as pessoas dizem isso, chegam a dizer que sou louca por falar isso ou aquilo, odeio quem pede minha opinião e depois vira a cara porque falei umas verdades. A verdade é que muitos desejam vomitar o que está engasgado, e não conseguem; já eu faço isso com tranquilidade, porque não sou obrigada. Não sou do tipo que agrada 24 horas, e cede elogios para qualquer criatura carente. Sou fiel aos meus pensamentos e as minhas palavras. Sei os que tramam e os que fecham comigo. Sei quem merece meu respeito.

A repercussão dos assuntos tratados no Fiscalizando é grande. Há “oposição” para todos os temas. Como você lida com as divergências de opiniões? Eu uso o que muitos não tem, o bom senso. Trato todos com respeito, busco sempre que sejam delicados para com os outros, repudio violências, não tolero falta de respeito ao outro, o debate tem que ter fundamento, tem que trazer uma luz pra podermos ter resposta, ser cordial e tentar ajudar é essencial. Divergências sempre existirão, até porque temos partidários (são os mais difíceis), mas não vejo problemas, oposição se faz necessária, o mundo é assim.

Quem é a Carolina Leite e quem é a JuizaCarol do Fiscalizando? A Carolina Fernandes Leite e a JuizaCarol do Fiscalizando são a mesma pessoa, o que muda é apenas o espaço, no Fiscalizando eu fiscalizo, ajudo e falo sobre política sem declarar meus candidatos e vontades políticas, até mesmo pelo fator de ser moderadora. No meu facebook pessoal eu falo o que quero, posto meus candidatos, posto preferências e até divulgo, o que não faço no Fiscalizando. Prefiro ser amarga como pimenta, mas que você sabe bem o gosto. Do que ser aquele chocolatinho barato que te ilude, te engorda e ainda te dá má digestão. As pessoas quando me encontram na rua e conversam com a Carol dizem: Como você é doce, amável e diferente do Fiscalizando, mas eu não penso assim, sou muitas em uma, e é só.

Também em rede social, você já declarou ter sido usuária de drogas e deixa uma lição de vida para quem quer mudar o rumo de uma história de vida. Quais são as grandes lições desse período? Sim, na verdade eu sempre posto, e é sempre importante quando falo sobre isso, usei drogas durante anos, era jovem, apaixonada e queria estar junto do meu parceiro, a mais pesada delas, o crack, foi o meu fim e meu renascimento. Um período de tristeza, de dor de morte por longo tempo. Porém eu tive desejo de sair e lutei, venci, fiz faculdade, sou pessoa pública, pouca coisa me abala, convivi com muita coisa ruim, aprendi a enxergar além dos olhos, vejo as pessoas por dentro, não passo por uma pessoa na rua como se ela fosse invisível, porque ninguém imagina quantas delas querem ajuda e precisavam ouvir apenas oi pra poder sair dessa porcaria. Lições? Tantas que não caberiam aqui, a principal: “Se ame”.

Qual é a importância de fazer parte dos projetos sociais? Faço parte de projetos diversos, apadrinhamento de crianças as quais os pais perderam a guarda na maioria das vezes pelo uso indevido de drogas, algumas ONGs nas quais atuo como voluntária nos finais de semana, sopão de fins de ano, visitas em abrigos diversos e hospitais com finalidade de levar mais alegria e palavras doces aos que precisam.

O Fiscalizando é uma página muito visitada no Facebook. Você tem planos mais ousados para o grupo? Quais são eles? Tenho, sim, mas é surpresa. Lembro que já tentaram fazer grupos de debate, mas como o Fiscalizando Contagem não há. Tenho dito.

Falando de política, você deixa claro os apoios e preferências. Isso não traz problemas para você enquanto pessoa pública? Deixo claro, sim, mas não faço palanque no Fiscalizando. A verdade é que não preciso me aparecer para ser olhada, tenho meu gênio, meu espaço, adoro meus particulares. E mesmo assim de vez enquando abro a janela e tenho um público com seus grandes olhares críticos! Dou um sorrisinho aceno e goodbye no meu mundo só entra meus gostos, meus desejos. Traz problemas quando é pra tentar me desmoralizar, então se me cutuca eu te cutuco, tu me cutuca eu te cutuco. Vai dar Samba!

O que os seguidores podem esperar em 2015? Muitas denúncias, muita polêmica, muitos debates, mas acima de tudo respeito e seriedade no trato com todos e com nossa cidade. Somos fiscalizadores e devemos atuar com objetivo e foco. Nos últimos anos, fiz e mantenho muitos amigos, conheci pessoas boas na prefeitura, na imprensa, na Câmara, trabalhei na Famuc, no Cinco, no Procon, no Instituto de Identificação da Polícia Civil. Cada momento foi um aprendizado que uso no grupo. Não deixo de me fixar em energias e vibrações positivas, mas se tentar me derrubar eu não relaxo, estou pronta para guerra.

Recentemente, você postou que estava com um novo projeto de um blog. Seria uma continuação do Fiscalizando ou uma novidade? Tem novidade sim. Para próximo ano vamos criar algo revolucionário, está sendo pensado por um grupo fechado, que envolve o Observatório Social de Contagem. Não posso dizer mais nada.

Sempre envolvida com assuntos políticos, você pretende de entrar para o quadro da política contagense? É algo que faz parte dos seus planos? Sim. Não nego que tenho vontade de atuar e quero fazer algo especial. Mas não tenho um partido específico. Não posso perder minha essência, ainda que a lógica do sistema político vá querer isso de mim. Muitos querem que eu mude para ser candidata, não vou mudar por interesse algum. O povo brasileiro sabe votar. No Fiscalizando abrimos o espaço para a participação popular, para a investigação. Isso faz a diferença, afinal nas eleições os candidatos deveriam falar sobre saúde, segurança, educação e mobilidade, o que é sempre retratado no grupo. Vamos ver o que vem por aí, 2015 será decisivo.

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