Apesar de protestos, famílias são desalojadas

Ocupantes de uma área no bairro Ponte Alta foram retirados do terreno na terça (11), após manifestarem no Fórum, na prefeitura e pararem BR–381 no dia anterior

iG Minas Gerais | José Augusto Alves |

Tratores demoram dezenas de famílias na última terça-feira (11)
Nelson Batista
Tratores demoram dezenas de famílias na última terça-feira (11)

O problema do déficit habitacional continua assolando Betim. Na terça-feira (11), a prefeitura desalojou 174 famílias que ocupavam um terreno no bairro Ponte Alta há cerca de nove meses, mesmo após as famílias protestarem na porta do Fórum e da prefeitura e paralisarem o trânsito na BR–381 na segunda-feira (10), por cerca de quatro horas.

“Só ficamos sabendo do despejo na sexta-feira (dia 7). Isso porque um falso líder estava negociando com as autoridades e agindo contra nós. No sábado (8), um carro de som anunciou a desocupação e pediu para que tirássemos nossos pertences. Ficamos desesperados. As famílias que vivem lá não têm para onde ir. Queríamos que o prefeito nos ouvisse”, disse um dos líderes da ocupação, Divino da Vila, enquanto tentava falar com o prefeito, na segunda (10). Como não conseguiram, os ocupantes interditaram a BR–381 das 19h às 23h.

A desocupação foi feita na terça (11), com uma decisão judicial de reintegração de posse determinada pela Justiça em favor da prefeitura, dona do terreno, de cerca de 8.000 metros quadrados. A operação contou com o apoio da Guarda Municipal, com 192 policiais militares, técnicos das secretarias de Saude, Assistência Social e da Superintendência de Habitação. A operação aconteceu de maneira pacífica em quase sua totalidade, mas, no fim, três pessoas foram detidas por desacato e, após prestarem esclarecimentos, foram liberadas.

Cerca de 450 pessoas foram desalojadas e levadas para albergues, abrigos e centros esportivos da cidade. Os barracões construídos pelos ocupantes foram demolidos por tratores. Um dos desalojados é o pai da auxiliar de serviços gerais Adriana Santos. “Meu pai tem 66 anos e não tem para onde ir. É uma injustiça o que estão fazendo”, disse.

Outra família que foi desalojada foi a Cibele Dias Pereira. “Nós chegamos aqui há mais de oito meses, e o prefeito disse que não teria problema. Então, depois de nós construirmos nossos barracões, criando dívidas para pagarmos os materiais, agora ele vem e nos tira sem ter um lugar para onde nos levar? Isso é um desrespeito. Há gente aqui que tem uma dívida de R$ 12 mil para pagar da construção”, afirmou. “Não queremos nada de graça, até pagamos um valor simbólico como o do Minha Casa Minha Vida, mas queremos um lugar para morar”, completou.

Aluguel social A deputada Maria Tereza Lara (PT) esteve no local e criticou a medida da prefeitura. “Retirar famílias para ficar com crianças em albergues e abrigos é inconcebível. E o aluguel social que a prefeitura teria que pagar para as famílias que não têm para onde ir? Se não há recursos, que se busque no governo do Estado, no governo federal. O que não podia era fazer essa ação sem ter um registro e ações que garantiriam a dignidade dessas famílias”, disse.

A prefeitura informou que quatro famílias já encontraram um imóvel e receberão o aluguel social, e outras 24 que estão no Complexo Esportivo do Teresópolis estão recebendo auxílio para encontrar um imóvel.

De acordo com o superintendente municipal de Habitação, Alex Couto, os ocupantes foram alertados sobre a ocupação irregular. “Constituímos um canal de diálogo para que nenhuma família saísse daqui desamparada, com caminhões para mudança. Alertamos que a área deveria ser desocupada após recebermos a decisão judicial”.

Segundo a prefeitura, das 174 famílias que estavam no local, 60 foram atendidas pela administração para fazer cadastro, e as restantes deixaram o local voluntariamente. “Desse total de 60, 23 possuem número de inscrição social, que possibilita a inclusão em benefícios oferecidos pelos governos; cinco recebem, comprovadamente, o Bolsa Família, e uma recebe o Bolsa Família e o Cesta Escola (benefício municipal)”, informou em nota.

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