Paciente morre à espera de vaga no CTI do Regional

Homem de 46 anos com várias complicações ficou internado durante oito dias na UAI Teresópolis aguardando transferência para um leito, mas não resistiu à demora

iG Minas Gerais | José Augusto Alves |

Taís lamenta a morte do pai devido à falta de leito em CTI
João Lêus
Taís lamenta a morte do pai devido à falta de leito em CTI

O sucateamento e o caos no sistema de saúde de Betim continuam afetando aqueles a quem deveria salvar: os usuários. Nesta semana, um paciente morreu aguardando uma vaga no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Regional.

Jociel Pedro da Silva, de 46 anos, estava internado na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do bairro Jardim Teresópolis, onde deu entrada no dia 1º. Após piorar na quarta-feira (5), ele não resistiu à demora para ser transferido para um leito de CTI e morreu, na noite de sexta-feira (7). “Meu cunhado não aguentou esperar tanto por uma transferência. Morreu por falta de vaga no CTI”, lamentou a técnica em enfermagem Luciene de Oliveira.

Segundo a filha de Silva, a balconista Taís Gonçalves, 22, inicialmente, o pai dela foi internado com suspeita de trombose. “Além disso, ele sentia muitas dores por causa de pedras na vesícula. O médico, então, achou melhor deixá-lo na UAI para acompanhar o quadro de saúde dele, que ainda estava bem, sem gravidade”, contou.

Já na quarta-feira (5), o paciente foi levado para o Hospital Regional para fazer exames, onde foi constatada a trombose. “Depois desse dia, ele teve uma piora significativa, mas não ficaram com ele no Regional, retornaram com meu pai para a UAI e o colocaram na sala de urgência”, disse. “Se ele já estava no hospital, por que não o deixaram lá, onde tem mais recursos?”, indagou.

Após a piora, várias tentativas para transferi-lo para um CTI foram feitas, mas todas, em vão. “Os próprios médicos da UAI e a assistente social ligaram diversas vezes para tentarem uma vaga, porque o estado de saúde dele era grave, mas não conseguiram. O Regional alegava que não tinha vaga”, completou.

Na noite de quinta-feira (6), Taís e a tia Luciene foram até o Regional tentar a transferência, mas também não conseguiram. “Não importava onde ele ficaria, se em Betim ou em Belo Horizonte. O importante era conseguir um leito para tentar salvar a sua vida”, lamentou a filha.

Segundo o vereador Antônio Carlos (PT), o CTI 2 do Regional está em reforma, mas o município não se preparou para conseguir leitos em outras unidades. “A Secretaria de Saúde apenas informou ao Estado que estava fazendo a reforma do CTI 2, mas, como não houve um planejamento, a quantidade de leitos diminuiu. Todos os dias, há pacientes precisando de uma vaga no CTI, e não conseguem transferência”, denunciou.

Para a balconista que perdeu o pai por causa da espera, é preciso que haja mais atenção por parte do governo para a área da saúde. “É preciso investir mais para que outras pessoas não passem pelo que eu passei”, finalizou.

Posição

Por meio de nota, a prefeitura informou que Joceil Pedro da Silva deu entrada na unidade no dia 1º de novembro e permaneceu internado na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Teresópolis, “onde recebeu toda a assistência da equipe médica”. “Como ele estava clinicamente bem, foi internado na enfermaria da unidade. No dia 5 deste mês, o quadro do paciente piorou, e o mesmo foi transferido para a sala de urgência da UPA”, informou a nota.

A transferência para o CTI do Regional não foi feita porque os leitos estavam cheios, e o CTI II está em reforma. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, após a piora, o paciente “foi rapidamente cadastrado na Central de Leitos SUS Fácil, que regula vagas em todo o Estado, com isso, ele ficou aguardando a disponibilidade de leito para ser transferido para um dos demais hospitais da região de abrangência do município”. “Mas, até a sexta-feira (7), não havia leito disponível, e, infelizmente, o paciente veio a falecer”.

A secretaria ainda ressaltou que, em todo momento, se empenhou em prestar assistência a Joceil, mas a liberação da vaga é de responsabilidade do Estado.

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