Especulação sobre Fazenda faz dólar renovar máxima desde 2005

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em alta de 1,39% sobre o real, cotado em R$ 2,595 na venda

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Especulações sobre o próximo nome a comandar o ministério da Fazenda no lugar de Guido Mantega voltaram a mexer com o humor dos investidores nesta quinta-feira (13), derrubando em mais de 2% a Bolsa brasileira e levando o dólar novamente ao maior valor em nove anos. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações nacional, fechou em queda de 2,14%, aos 51.846 pontos.

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em alta de 1,39% sobre o real, cotado em R$ 2,595 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 1,13%, para R$ 2,592. Ambos renovaram suas maiores cotações desde 18 de abril de 2005, quando o dólar à vista era cotado em R$ 2,619 e o comercial valia R$ 2,608. A moeda americana chegou a atingir máxima de R$ 2,611 ao longo do dia.

Em seu caminho até a Austrália, onde participa da reunião do G20, a presidente Dilma Rousseff afirmou que anunciará os nomes da sua nova equipe econômica nas próximas semanas. Segundo analistas, a indefinição dos cargos --especialmente o de ministro da Fazenda-- e a dúvida sobre quando os nomes serão conhecidos dão margem a especulações.

"O mercado está trabalhando bastante em cima dessas especulações. Desde que [a presidente Dilma Rousseff] foi reeleita, a nova equipe econômica foi a principal cobrança. Com a tentativa de abandono da meta de superavit, aumentou ainda mais a importância do anúncio, justamente para resgatar a credibilidade do governo", diz Leonardo Bardese, estrategista da BGC Liquidez.

No radar. Entre os nomes citados pelo mercado, estão o do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles e do ex-secretário-executivo da Fazenda Nelson Barbosa. Reportagem do "Valor Econômico" diz que Barbosa é o preferido dentro do PT, partido da presidente Dilma. O ex-secretário teria afirmado, contudo, que ainda não recebeu convite para assumir a pasta.

O atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também está no radar do mercado como alternativa ao comando da Fazenda. Essa opção ganhou força após Tombini ter acompanhado Dilma ao encontro do G20 na Austrália, evento que normalmente reúne apenas chefes de Estado e ministros de finanças.

Mas, para analistas, entre os agentes de mercado (grandes fundos, bancos, investidores etc), o nome de Meirelles agrada mais. "Quanto mais o nome for ligado ao partido do governo, mais descrença o mercado vai mostrar. Já chegaram a falar sobre Aloizio Mercadante, por exemplo, e os investidores não gostaram", afirma Bardese.

A avaliação é que Meirelles "é menos tolerável" à falta de autonomia para decisões econômicas. "É uma característica que ele preza, e já demonstrou quando esteve à frente do Banco Central", acrescenta o estrategista.

A tendência é que o mercado financeiro continue "à mercê de especulações", segundo James Gulbrandsen, da gestora NCH Capital. O baixo volume de negócios também aumenta a instabilidade, afirma o especialista.

"O mercado está muito sensível neste momento. Ele não gosta de incerteza, gosta de saber quais as regras do jogo. Mas, quando o árbitro não está definido, o mercado fica preocupado com a incerteza, a falta de previsibilidade. Não dá para fazer um investimento sem saber qual o rumo da economia", diz.

Mercados. Dos 70 papéis que compõem o Ibovespa, apenas oito fecharam a quinta-feira no azul. Entre eles, as ações das Lojas Americanas registraram avanço. Embora tenha tido queda de 33% no lucro do terceiro trimestre, a empresa apresentou um novo plano de expansão, com previsão de abertura de 800 lojas em cinco anos e investimentos de R$ 4 bilhões.

Entre as maiores quedas ficaram os papéis de construtoras, que devolveram o forte ganho registrado na última quarta, e as ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras, que cederam 3,61%, a R$ 13,60. Investidores aguardam pelo resultado da estatal no terceiro trimestre, previsto para esta sexta-feira. O setor bancário, segmento com maior peso dentro do índice, também caiu, liderado pelo Itaú Unibanco, com desvalorização de 3,22%.

No câmbio, os leilões do Banco Central não foram suficientes para impedir a alta da moeda americana. A autoridade deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias, através do leilão de 4.000 contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda futura de dólares), pelo total de US$ 197,2 milhões.

O BC também deu sequência ao processo de rolagem dos contratos de swap cambial que vencem em 1º de dezembro de 2014. Foram vendidos 9.000 contratos nessa operação, por US$ 438,4 milhões. Até o momento, a autoridade já rolou cerca de 36% do lote total com prazo para o primeiro dia do mês que vem, que equivale a US$ 9,831 bilhões.

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