Visto de paquerador dos EUA foi discutido internamente no Itamaraty

Petição com mais de 242 mil assinaturas pede que a entrada do americano seja proibida no Brasil; Julien Blanc é conhecido por suas ulas polêmicas sobre como paquerar mulheres

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Norte-americano Julie Blanc ensina métodos agressivos para abordar mulheres
Reprodução/ YouTube
Norte-americano Julie Blanc ensina métodos agressivos para abordar mulheres

 O Itamaraty já emitiu ao menos duas circulares internas a postos consulares para tratar do caso do americano Julien Blanc, que pretende vir ao Brasil para dar aulas polêmicas sobre como paquerar mulheres. Devido a suas táticas --tidas como coercitivas--, Blanc foi deportado da Austrália, para onde tinha viajado a fim de dar uma rodada de palestras.

A reportagem apurou que, segundo uma primeira circular enviada aos postos consulares, Blanc chegou a fazer a solicitação e teve o pedido de visto denegado. Depois, uma segunda circular instruiu os consulados a consultar o Ministério das Relações Exteriores antes de decidir sobre esse caso específico.

Procurado, o Itamaraty ainda não explicou qual das duas orientações está em voga. A reportagem também perguntou por que a instrução sobre consulta ao ministério em Brasília foi enviada depois que o visto teria sido negado.

O americano, que já esteve no Brasil em 2012, tem planos de dar palestras em Florianópolis e no Rio entre os dias 24 e 31 de janeiro. No site Avaaz, uma petição com mais de 242 mil assinaturas pede que sua entrada no país seja barrada.

Em suas aulas, Blanc ensina táticas agressivas: em Tóquio deve-se, segundo ele, abordar mulheres japonesas em festas ou na rua e puxar suas cabeças para a virilha masculina. No YouTube, é possível assistir a esse trecho da palestra e, depois, vê-lo demonstrando a estratégia em uma balada.

"Se você for um homem branco [no Japão], pode fazer qualquer coisa que quiser", defende. O vídeo original, divulgado publicamente pelo professor de paquera e por sua empresa, foi tornado privado. Já no Twitter, Blanc recomendou que se segurasse desconhecidas pelo pescoço para asfixiá-las. O post em questão foi deletado.

Aténa última quarta-feira (12), a informação oficial era de que o Itamaraty tinha conhecimento da petição, mas que o visto ainda não tinha sido pedido e, por isso, não existia orientação a respeito do caso.

Deportado. Em viagem para a Austrália, Blanc teve o visto cancelado e foi deportado do país. A ação foi motivada por uma petição on-line com mais de 10 mil assinaturas que o acusava de disseminar "violência e abuso emocional contra mulheres".

"Ele não estava promovendo ideias políticas, mas propondo abuso que deprecia mulheres", declarou publicamente o ministro australiano de Imigração e Proteção das Fronteiras, Scott Morrison, na semana passada. "Esses valores são abominados neste país", acrescentou.

Antes disso, os quatro hotéis australianos que deveriam sediar aulas de Blanc cancelaram os eventos. Um site de venda de ingressos removeu as palestras de sua plataforma.

Próximos eventos. Petições on-line semelhantes à Brasileira e à Australiana já surgiram no Canadá, Reino Unido e Japão.

O site da empresa Real Social Dynamics, que produz e divulga as palestras de Blanc e de outros homens do ramo, retirou do site o cronograma de eventos do paquerador profissional.

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