“Candidatura é irremovível”

Eduardo Cunha diz que não vai desistir de disputar a presidência da Câmara e marca lançamento

iG Minas Gerais |

Seca. Eduardo Cunha disse que Michel Temer está empenhado em “hidratar” sua candidatura na Câmara
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/divulgação - 4.11.2014
Seca. Eduardo Cunha disse que Michel Temer está empenhado em “hidratar” sua candidatura na Câmara

Brasília. Pressionado por partidos a oficializar seu nome para a disputa pela presidência da Câmara em 2015, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), afirmou nesta quarta que sua candidatura é real e será “irremovível”. O peemedebista planeja lançar no dia 2 de dezembro sua candidatura. A ideia é assegurar que os partidos comecem a formalizar apoio.

“Como tenho sentido nas minhas conversas com outros partidos que há uma cobrança sempre se a minha candidatura ficará e persistirá até o último momento, a partir deste momento, minha candidatura é irremovível”, afirmou Cunha após encontro com a bancada. “A minha candidatura será levada ao plenário em qualquer circunstância”, afirmou.

Ele negou que haja um conflito ou movimentação do vice-presidente Michel Temer para “desidratar” sua candidatura. “Pelo contrário, ele quer hidratar minha candidatura”, afirmou.

Segundo Cunha, a única preocupação de Temer era que sua candidatura não ficasse caracterizada como de oposição. O líder afirmou que está disposto a conversar com o PT, mas indicou que não fará esforços.

Temer – que ocupa o cargo de presidente em exercício durante viagem de Dilma Rousseff – minimizou hoje os impactos que uma possível eleição de Cunha traria ao Planalto, dizendo que isso não traria problemas para a governabilidade.

“Não, não traz, não (problemas). Acima de todos nós, acima de mim, do presidente da Câmara, do Senado, de todos os Poderes, está a Constituição. A Constituição determina a harmonia entre os Poderes. Quem for eleito estará harmonizando a atividade do Legislativo com a do Executivo”, disse o vice-presidente.

Questionado sobre a sucessão na Câmara, Temer não quis comentar o processo e disse que isso cabe apenas ao Congresso. “O que eu tinha pra falar eu já falei. Eu não falo mais sobre isso. Essa é uma matéria do Congresso Nacional. E a Câmara e o Senado decidirão da melhor maneira porque é competência do Congresso”, disse.

Cunha recebeu o apoio do Solidariedade e deverá ter a adesão de outros partidos – PMDB, PTB, PR, PSC. Ele também conversa com partidos nanicos que prometem compor um bloco de 24 deputados.

Apesar de liderar na Câmara o maior partido aliado ao PT na coalizão de Dilma Rousseff, Cunha não é bem visto pelo Planalto pela razão, entre outras, de ter liderado rebeliões contra o governo no ano passado.

A eleição para a presidência da Câmara será realizada em fevereiro. O PT deverá lançar candidato para concorrer. Os partidos de oposição também estudam lançar um nome.

Solidariedade

União. O Solidariedade, comandado pelo deputado Paulinho da Força (SP), formalizou apoio à candidatura de Cunha à Presidência da Câmara. A legenda também vai compor o “blocão” na Casa.

Bolsonaro Deputado mais votado no Rio, Jair Bolsonaro (PP), decidiu que irá concorrer à presidência da Câmara. O parlamentar, que já se anunciou pré-candidato à Presidência da República em 2018, disse que irá concorrer na Câmara apenas para marcar posição e ter dez minutos a mais de fama. Ele irá concorrer como candidato avulso. Ciente de que sua chance de vitória é próxima de zero, Bolsonaro já contabiliza ao menos dois votos a seu favor: o próprio e o do filho, Carlos Bolsonaro (PSC), eleito deputado federal por São Paulo.

Senado Obras. O Senado aprovou nesta quarta projeto que obriga órgãos dos governos federal, estaduais e municipais a divulgar na internet informações sobre obras que estejam em andamento. A regra também vale para as empresas contratadas. Detalhes. Todos terão que publicar os cronogramas de execução e pagamentos, com detalhes sobre o andamento da obra. Intervenções que custam até R$ 15 mil não precisam divulgar o detalhamento. Partidos. O Senado também aprovou uma anistia aos partidos políticos que acaba com punições para prestações de contas irregulares que não forem analisadas pela Justiça Eleitoral no prazo de quatro anos após a sua apresentação.

Vice petista defende base menor na Casa Brasília.O vice-presidente nacional do PT, deputado José Guimarães (CE), defendeu nesta quarta uma reestruturação na base aliada do governo Dilma Rousseff. Para o petista, o partido vive um processo de isolamento no Congresso. “Prefiro uma base menor, mais consistente, que fosse capaz de enunciar uma carta-compromisso para o país”, defendeu. Guimarães considera a base atual inchada e fragilizada. “A imprensa divulga 365 deputados da base. Você chacoalha o saco, não ficam 200”, reclama.

Caças A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta convite para o ministro da Defesa, Celso Amorim, prestar esclarecimentos sobre o contrato assinado pelo governo com a empresa sueca Saab para a compra de 36 caças Gripen NG. A compra foi fechada no mês passado por US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 13,5 bilhões), encerrando uma discussão que se arrasta desde 2001. Ainda não há data para o ministro comparecer.

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