Projeto propõe reúso da água

Economia pode chegar a 60% com a chamada “água cinza”, descartada em chuveiros e máquinas

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Seca. Longa estiagem motivou apresentação de projetos com o objetivo de reduzir o consumo e punir o desperdício de água
Lincon Zarbietti / O Tempo
Seca. Longa estiagem motivou apresentação de projetos com o objetivo de reduzir o consumo e punir o desperdício de água

As novas edificações construídas em Belo Horizonte podem ser obrigadas a adotar sistemas de reutilização da chamada “água cinza”, que é aquela descartada por pias, chuveiros e máquinas de lavar roupa. A regra vai valer caso seja aprovado na Câmara Municipal o projeto de lei nº 1.165/14, que está em fase inicial de tramitação e será tema de audiência pública na Casa nesta quarta.

O objetivo é reduzir o desperdício e os gastos com água. De acordo com o vereador Juliano Lopes (SD), autor do projeto, a economia na conta de água chega a 60%. A ideia foi inspirada em uma lei semelhante de Petrópolis (RJ). Para ser reutilizada, a “água cinza” é levada a um reservatório que fica no solo, onde passa por um processo de dupla filtragem para ficar disponível para uso em descargas e para lavar quintais, por exemplo. “Na Europa e no Japão, essa água é reutilizada também para lavar roupas”, diz a professora de instalações hidráulicas da Fumec Maria Elizabeth Vidal. Para ela, a solução é não apenas viável, como a “ideal”. A professora diz que o mesmo reservatório pode ser usado também para captar água de chuva. Custo. A implantação do sistema de captação e reúso de água custaria cerca de R$ 2.700 por apartamento, ainda na fase de construção. Esse investimento se pagaria em cerca de nove meses, nos cálculos do vereador Juliano Lopes. A professora Maria Elizabeth Vidal diz que o custo pode ser até menor, dependendo do projeto, mas calcula o tempo de retorno do investimento em cerca de dois anos. “O custo é muito baixo”, reforça. Já o vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Lucas Guerra Martins, diz que não é possível calcular o custo unitário porque há muitas variáveis. “Parece muito simples, mas não é. Há muitas particularidades em cada projeto. Hoje a engenharia tem solução para tudo, mas o problema é o custo”, afirma. Ele diz que o sistema não seria viável, por exemplo, em construções destinadas à baixa renda, devido ao custo. “Na menor faixa do Minha Casa, Minha Vida, nem pensar”, afirma. Ele diz ainda que a obrigatoriedade da instalação dos mecanismos de reúso não é a melhor solução. “Tudo que é obrigação não é bem-vindo. O incentivo é sempre melhor”, afirma. Para Martins, Belo Horizonte poderia criar incentivos fiscais, como redução no IPTU para as construções que tivessem o sistema, ou conceder algum outro benefício, como o aumento do potencial construtivo do terreno.

Multa Parado. Apresentado há cerca de um mês na Câmara, o projeto que prevê multa para quem “varrer” calçadas com água está parado e não passou em nenhuma comissão ainda. 

Maioria já está a favor do racionamento A crise hídrica é tão grande que 77% dos moradores de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são a favor do racionamento de água, segundo pesquisa da Expertise. De acordo com o levantamento, 30% das pessoas nas regiões metropolitanas e no interior desses Estados tiveram fornecimento de água cortado quatro vezes ou mais nos últimos 30 dias. Além de apoiar um eventual racionamento, os entrevistados dizem que estão economizando água com atitudes como tomar banhos mais curtos e lavar menos o carro.

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