Meta da Embraer é vender para todas as companhias

Versão da MP tem objetivo de fortalecer fabricante nacional

iG Minas Gerais |

Estratégia. Se o texto da MP mudasse, Azul cancelaria jatos da Embraer para comprar aviões maiores
Azul/divulgacao
Estratégia. Se o texto da MP mudasse, Azul cancelaria jatos da Embraer para comprar aviões maiores

Rio de Janeiro. A Azul não é obrigada a adquirir aviões da Embraer, reforçou nesta quarta, o vice-presidente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da fabricante de aeronaves, Nelson Salgado. Segundo ele, com o desenvolvimento do mercado de aviação regional, a Embraer pretende competir por contratos com outras companhias além da Azul.

Nessa terça, o Congresso aprovou a Medida Provisória 652, para fomentar a aviação regional, sob pressão da Azul. A companhia aérea ameaçou desistir de uma encomenda de 30 jatos E-2 da Embraer – modelo que chega ao mercado em 2018, com opção de compra de mais 20 aviões –, por discordar da proposta de retirar o limite de subsídio para os voos regionais.

O Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional (Pdar) previa o pagamento de subsídio a metade dos assentos, com limite de 60 passageiros por voo, mas houve proposta para eliminar o teto, o que provocou a reação da Azul. Após a polêmica, o texto foi aprovado no formato original. “A Azul não tem obrigação nenhuma de comprar avião da Embraer. Se ela chegar à conclusão de que deve comprar avião de outro tipo, ela vai fazer isso e nós vamos seguir nossa vida tocando o negócio”, disse Salgado, em linha com as declarações do presidente da Embraer, Frederico Curado.

Até o momento, o contrato da compra dos aviões não foi fechado, há apenas uma carta de intenções. “Competimos em aviação regional no mundo inteiro, com japoneses, russos, com todo mundo. Se o mercado for desenvolvido no Brasil, nós vamos competir aqui também. Se não for desenvolvido, como disse nosso presidente o(nessa terça), a vida continua”, acrescentou Salgado.

Com a aprovação do plano de aviação regional, Salgado disse que as próximas etapas envolvem a definição, pelas companhias aéreas, do tipo de avião adequado para cada rota, seja de pequeno, médio ou grande porte.

“O que os incentivos não podem fazer é distorcer essa escolha e fazer com que alguém selecione um avião diferente por conta do tipo de incentivo”, disse Salgado.

Polêmica

MP 652. Garante subsídios a empresas de aviação regional, para 50% dos assentos, limitados a 60 passageiros. Os recursos virão de 30% do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac).

MP ajuda a valorizar ações da Gol São Paulo. As ações da Gol (PN) avançaram 6,23%, após o balanço ter trazido melhoras operacionais, apesar de prejuízo de R$ 245,1 milhões no terceiro trimestre. O papel ainda foi favorecido pela aprovação da MP 652 que, além de fomentar a aviação regional, libera a participação do investidor estrangeiro no capital das empresas aéreas. O prejuízo líquido consolidado subiu 24,4%. Mas a receita operacional líquida teve alta de 10,4%, no terceiro trimestre.

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