De loucura basta a minha!

iG Minas Gerais |

Fotomontagem sobre foto de estevam avellar/TV Globo
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Amor, controle, paixão, respeito, dignidade. Essas palavras só fazem sentido numa relação se forem aplicadas em conjunto. Uma depende da outra para que a troca seja a mais sincera, a mais ardente, a mais delicada, a mais inesquecível. E, quando uma dessas palavras essenciais se perde entre o casal, é sinal de que a receita desandou. Não há o que fazer. Às vezes, nem aquela conversa sensata e necessária para apaziguar a situação vai resolver. Pois existem muitas pessoas e gênios diferentes espalhados por aí. E de loucura, você só aguenta a sua... da do outro você quer distância!

É esse tema – o que mulheres que amam demais são capazes de fazer para viver o amor até as últimas consequências – que move “Eu que Amo Tanto”, a nova série dramática do “Fantástico”, da Globo. Logo no primeiro episódio, que foi ao ar no último domingo, a atriz Mariana Ximenes dá um show de interpretação ao viver Leididai, uma moça tímida que se apaixona pelo presidiário Zé Osmarino (Márcio Garcia) e rapidamente se transforma. E é nas visitas ao amado na prisão que ela encontra a liberdade e a felicidade – e o martírio, já que fica completamente dependente do cafajeste e só aí descobre que ele já era casado.

Com a exímia direção de Amora Mautner e Joana Jabace e adaptação de Euclydes Marinho do livro homônimo de Marília Gabriela, “Eu que Amo Tanto” é baseada em histórias reais e terá ainda mais três episódios nos próximos domingos, estrelados pelas atrizes Carolina Dieckmann, Marjorie Estiano e Suzana Vieira. A cada capítulo, uma mulher travestida de delírio e insanidade toma conta do “Fantástico”, nem que seja por apenas alguns minutos. E é por meio desse olhar dominical que você pode perceber como o ser humano é diferente. Por mais que sua vida seja tranquila, você sempre sabe de alguém, na família ou entre amigos, que fez aquele barraco por ciúmes ou quebrou tudo porque não aceitou o fim do relacionamento. As capas do Super também estão cheias de crimes passionais, os mais pesados possíveis, que não me deixam mentir. Mas essas atitudes alienadas sempre chocam, nunca passam desapercebidas, justamente porque são diferentes, dementes, delirantes.

Quer um exemplo? No capítulo que foi ao ar, Leididai fica transtornada ao ir até a casa de Zé Osmarino e ser negada com abominação. Ela implora, ajoelha, suplica, apanha, sucumbe. Ele rebate, humilha, agride, ignora. Entra em sua casa e a deixa jogada no chão como um cão tomado pela sarna e pelo asco. Quando alguém age como Leididai, não há ali o mínimo de amor-próprio ou de compaixão com a sua história de vida. Restam a raiva, a vergonha, o amor que se transforma em ódio por alguém tão perigoso quanto ela.

Eu não sei você, mas eu morro de medo de pessoas assim. Vou pela lógica: se eles são capazes de fazer o pior por quem mais amam, imagine o que podem fazer com aqueles que sequer chegaram a conhecer? Por isso respiro ficção e só vivo isso nos romances trágicos, no factual criminoso ou até mesmo na série dramática cabeluda e tresloucada de domingo à noite. A nossa realidade já é dura demais pra se transformar em papel literário ou em conto policial diário.

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