Encontros e desencontros: Minas mudou

iG Minas Gerais |

Entre o primeiro e o segundo turno das últimas eleições, afastei-me do país. Minha mulher e eu deixamos de votar na segunda rodada, não sem pesar, porque tínhamos esperanças de que Minas se moveria a favor do Brasil, ao lado de São Paulo, na linha de manifestações frequentes, como rezava o breviário da tradição dos dois Estados na República Velha, em tempos de perigos, renascidos com o bolivarismo lulopetista, do qual pouco se sabe, exceto do objetivo de suprimir liberdades públicas, políticas e econômicas, nomeadamente. Pouquíssimos foram os amigos com quem conversamos, compartilhando os mesmos augúrios, até porque fizemos questão de poupar os ouvidos às atoardas do PT, ignorante de qualquer princípio de educação cívico-política porventura recebido no lar ou aprendido no meio social, para entrar com as descompassadas baterias das baixarias, jogando à lama a firme e discreta evolução do comportamento político mineiro. Até este foi gravemente afetado. Em artigo publicado recentemente no nosso O TEMPO, lembrei as eleições de 1960 para delas retirar inesquecível episódio de traição em Minas, do qual sofremos consequências inapagáveis, sobretudo no campo político, estilhaçado pelos militares e nunca reconstituído, senão cada vez mais anárquico. A Constituição de 1946, então vigente, permitia que a vice-Presidência da República fosse disputada por candidato avulso, dispensado, pois, de vincular-se formalmente ao pretendente à Presidência da República. A distorcida faculdade, como não poderia deixar de ser, provocava resultados desastrados, como demonstraram fatos históricos, de modo especial o registrado com a candidatura de Jânio Quadros, transformada em verdadeira tragédia para o país. Por todos os títulos e motivos, deveria sair vitorioso da disputa o ínclito Mílton Campos, indicado para compor a chapa do paulista-mato-grossense pela UDN. Em qualquer tempo, em qualquer lugar, não haveria melhor nome. Inspirado pelos inumeráveis defeitos que lhe tisnavam a personalidade psicótica e diabólica, Jânio permitiu e incentivou a formação pelo Brasil afora (Minas inclusive, desgraçadamente) dos chamados comitês Jan-Jan, a pútrida combinação com o PTB getulista/janguista que, na vitória espúria, foi a mais violenta pancada na cabeça da democracia de 1946. Sabe-se que a história não se escreve no condicional; contudo, não proíbe que, com a maior certeza, se afirme que, não fosse a nojenta perfídia, jamais teria havido o estado de necessidade pública justificador do golpe de Estado de 1964. E a nação seria outra, liberal e democrática. A Carta de 1946, nossa melhor Constituição, poderia ter sido preservada. Soçobrou. A sanha da infidelidade constitucional está de volta. Envergonha-nos o mineiro Aécio Neves derrotado na sua e na terra dos seus antepassados. É imperdoável. Se o falcão caça, também é capaz de espreitar, velar e vigiar. Basta prepará-lo para a pugna com os ventos das tempestades bravias. Ninguém se iluda: a temeridade custará preço escorchante aos brasileiros.

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