“Quem ganha tem que descer logo do palanque e governar”

iG Minas Gerais |

DUKE
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O senador Jorge Viana, do PT do Acre, a propósito da oposição anunciada pelo senador mineiro Aécio Neves (PSDB-MG), há dias afirmou que “quem ganha tem que descer logo do palanque e governar”. E completou: “Quem perde reluta em descer. Mas vai ter de descer, acabou a eleição”. A assertiva se revela, no mínimo, judiciosa. Tanto Jorge quanto Tião (eles são irmãos) dão a impressão de que não usam a mesma fatiota adotada há anos pela maioria do seu partido. Ou seja: são menos aferrados às posições (radicais) petistas. Isso é o que me parece à primeira vista. Pelo menos. A fala do parlamentar acreano não deixa de ser uma chamada a sua presidente, que precisa, com muita urgência, cumprir a promessa de governar – como prometeu em campanha – melhor do que governou durante quatro anos. Ele não poderia fazer essa chamada sem ao menos amenizá-la, daí a referência logo em seguida ao senador mineiro, que, decididamente, vestiu a camisa da oposição. Do contrário, entraria em perigosa área de risco e seria, com certeza, maltratado pela “companheira”. Ou não é essa a impressão que ela nos passa, meu caro leitor, confirmada, de quando em vez, pelo choro convulsivo de alguns dos seus auxiliares mais íntimos? Quem tem fama deita na cama… A enérgica oposição, anunciada pelo senador Aécio Neves, por enquanto, não provocou nenhuma hecatombe, nem, na verdade, é estranha ao PT (que sempre soube usar a “porradaria”, o torniquete e o martelo contra os que lhe são contra…), mas, por certo, provocou algum alívio no seu eleitorado. Teremos alguém atento ao que acontece no país, ao menos no que diz respeito à corrupção. Não seremos mais órfãos de uma oposição. O PSDB acordou de um profundo sono, e, como se sabe, “o preço da liberdade é a eterna vigilância”. Aécio está surpreso, mas disposto a encarar a tarefa que os 51 milhões de brasileiros lhe impuseram, na qual consta esta cláusula pétrea: “Todos temos o dever de cobrar dele o que prometeu”. Assim, não será fácil para a presidente enfrentar as inúmeras denúncias que se avolumam e, perigosamente, vão tomando conta do país inteiro. Torçamos, então, por ela (sou homem de fé!), para que reponha logo o país nas trilhas do bom senso. Além de não querer mal a ninguém, só esse único motivo já justificaria alimentar esse sentimento de tolerância, exagerada para alguns e, para outros, na medida certa: se Dilma não acertar, perderemos todos, leitor. O país não é qualquer um. É o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes e dono de uma cultura que nada tem a ver com Simón Bolívar. Uma outra tentativa de golpe nas instituições democráticas nos levaria a um trucidamento generalizado. Nego-me, por legítima defesa, a integrar o grupo dos que raciocinam com o “quanto pior, melhor”. Não sou adepto da prática do haraquiri… E, sinceramente, acho que esse sentimento (de defesa legítima) também toma conta da presidente, que, mais do que todos nós, leitor, tem muita coisa a preservar. Além do mais, qualquer tentativa de insubordinação contra as instituições democráticas, com ênfase sobre a liberdade de imprensa, mãe extremosa de todas as outras, ou qualquer cochilo, no que se refere aos graves problemas econômicos, darão chance a que alguém próximo dela, na vice-Presidência da República, “para o bem do país e a felicidade geral do povo”, assuma a sua faixa. Aceite logo a sugestão do senador Viana, presidente!

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