“Agora quero que me ouçam”

Artista marcado por musical de Tim Maia estreia como cantor com o show “Eclético”, que apresenta amanhã, no Chevrolet Hall

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Parceria. No show, Abravanel ainda canta três músicas inéditas, escritas por Edu Tedeschi. São elas: “Brim”, “Estrada Afora” e o single “Eclético”
adriano fagundes/divulgação
Parceria. No show, Abravanel ainda canta três músicas inéditas, escritas por Edu Tedeschi. São elas: “Brim”, “Estrada Afora” e o single “Eclético”

Ele canta, dança e interpreta, de Amy Winehouse a Gonzagão, de Xuxa a Chaplin e, claro, incorpora o Síndico no palco com muita propriedade. Essas são algumas das plurais cartas que Tiago Abravanel tirou da manga recentemente, ao lançar seu primeiro videoclipe no mês passado. Trata-se de “Eclético”, que também dá nome a sua primeira turnê como cantor. Essa é uma tentativa do artista de se livrar do estigma que o consagrou nos últimos três anos, quando encarnou uma arrepiante versão de Tim Maia no musical “Vale Tudo”, com direção de João Fonseca.

Depois de estrear no Rio de Janeiro e passar por Belém, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e São Paulo, é a vez de a capital mineira receber o espetáculo, amanhã à noite, no Chevrolet Hall. Em um show que “soa como uma grande festa em que todo mundo canta tudo”, Tiago Abravanel repagina hits da música popular brasileira, de Cazuza a Sidney Magal – sem deixar de fora Tim Maia.

A ideia veio como uma pequena brasa, queimando devagar à medida que ele se despedia da caracterização de Tim Maia, no ano passado, e começava a se arriscar nos vocais de uma banda para cantar em casamentos. Essa parecia a forma mais prática para se desvencilhar das imagens de Síndico e neto de Silvio Santos, que ganharam holofotes após seu sucesso nos palcos. Mesmo sem tocar ou compor, o artista quis botar a voz para fora, o timbre grave.

“É inevitável que as pessoas se lembrem do Tim. Canto no show porque gosto e tem a ver com minha proposta, que é cantar, colocar a voz para fora com força e sentimento. O público tem ficado mais à vontade para acessar o Tiago artista e cantor. Isso é um processo, e acho que ainda estou bem no começo, descobrindo quais caminhos posso seguir”, avalia o artista.

Tateando o universo musical, Tiago Abravanel teve contratempos logo nos seus primeiros passos como cantor, durante a estreia da turnê, em 3 de outubro. Para surpresa do público, ele surgiu no palco em uma cadeira de rodas, após torcer o pé esquerdo durante um salto de para-quedas no dia 12 de setembro (“contornei bem, brinquei muito com a plateia, que cantava de pé, enquanto eu não conseguia sequer firmar o pé no chão”, lembra). Para o show em Belo Horizonte, ele garante que as dores aliviaram a ponto de permitir algumas estripulias ensaiadas com a coreógrafa Kátia Barros. “O grosso mesmo da coreografia que quero fazer vai ter que esperar meu pé ficar 100%, mas alguns passinhos vão acontecer, sem dúvida”, diz.

SHOW. Cercado de influências teatrais, “Eclético” não traz nenhuma das caracterizações cômicas do clipe – como a pesada maquiagem que transformou o artista em Lady Gaga e até em um integrante do Kiss. O máximo que Tiago Abravanel faz é usar uma peruca e peças de roupas diferentes. “São alguns toques de irreverência. Mas, no geral, a questão do teatro fica na minha interpretação mesmo. Comecei a levar a cadeira de rodas para o show, brinco com o acidente que me aconteceu. Revezo entre canções de pé e outras num banquinho”, conta.

Garantindo não perder suingue durante o show – apesar das temporárias limitações físicas –, Tiago Abravanel entoa um set list com mais de 20 canções que praticamente não dialogam entre si, como “Marrom Bombom”, do grupo de pagode Os Morenos, “Pro Dia Nascer Feliz”, de Cazuza, “Menina Veneno”, de Ritchie, “Tempos Modernos”, de Lulu Santos e “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, tema de abertura do seriado global “Louco Por Elas”, interpretado pelo artista em 2012.

O que dá unidade ao show, segundo o próprio Tiago Abravanel, é a banda composta por 11 músicos, em uma complexa combinação de metais, percussão, bateria, duas guitarras, teclado e violões eventuais para revisitar hits pulsantes.

“O show tem rock, axé, MPB, mas tudo homogeneizado por uma banda bastante elétrica, que soube colocar tudo com um suingue que ganhou minha cara. É um formato sem preconceito, literalmente eclético. Independentemente do estilo, agora quero que me ouçam”, justifica.

Agenda

O QUÊ. “Eclético”, com Tiago Abravanel ONDE. Chevrolet Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi)

QUANDO. Amanhã, às 21h30

QUANTO. R$ 100 (inteira); R$ 720 (mesa setor 1) e R$ 600 (mesa setor 2)

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