Justiça autoriza viagem de envolvidos em cambismo de ingressos da Copa

O empresário inglês Raymond Whelan e o franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana poderão deixar o país no prazo de três meses

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

RJ - SOLTURA/RAYMOND WHELAN/FIFA/COPA DO MUNDO - GERAL - Durou apenas cerca de 12 horas a prisão do inglês Raymond Whelan, executivo da Match Services, empresa autorizada pela Fifa a vender entradas de jogos da Copa do Mundo, preso temporariamente na tarde de segunda-feira. Os advogados de defesa conseguiram no plantão do Tribunal de Justiça, na madrugada desta terça, um habeas corpus determinando a soltura de Whelan, acusado pela polícia de ser um dos principais fornecedores da quadrilha internacional de cambistas chefiada pelo francês Mouhamadou Lamine Fofana, preso na semana passada. 08/07/2014 - Foto: OSVALDO PRADDO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
RJ - SOLTURA/RAYMOND WHELAN/FIFA/COPA DO MUNDO - GERAL - Durou apenas cerca de 12 horas a prisão do inglês Raymond Whelan, executivo da Match Services, empresa autorizada pela Fifa a vender entradas de jogos da Copa do Mundo, preso temporariamente na tarde de segunda-feira. Os advogados de defesa conseguiram no plantão do Tribunal de Justiça, na madrugada desta terça, um habeas corpus determinando a soltura de Whelan, acusado pela polícia de ser um dos principais fornecedores da quadrilha internacional de cambistas chefiada pelo francês Mouhamadou Lamine Fofana, preso na semana passada. 08/07/2014 - Foto: OSVALDO PRADDO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio autorizaram o empresário inglês Raymond Whelan, 64, da empresa Match, e o franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, 57, a deixarem o país pelo prazo de três meses. Ambos são apontados pela polícia do Rio e pelo Ministério Público estadual como integrantes de uma quadrilha responsável por vender ilegalmente ingressos para jogos da Copa do Mundo deste ano.

Whelan e Fofana são acusados de cambismo, associação criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A reportagem procurou pelos advogados da dupla. O advogado Fernando Fernandes que atende Whelan disse que falaria através de sua assessoria de imprensa. Já a advogada Lilian Rosemary Weeks, que defende Fofana, não atendeu aos telefonemas feitos nesta manhã para o seu telefone celular.

A decisão que autorizou a liberação do passaporte e assim a viagem ao exterior da dupla foi tomada pelos desembargadores Nidson Araújo da Cruz, Rosita Maria de Oliveira Netto e Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. O julgamento ocorreu em 29 de outubro e o seu resultado foi publicado na edição de terça (11), do "Diário Oficial" do Rio.

O julgamento dos desembargadores autoriza a liberação dos passaportes, mas determina que a dupla deve se apresentar à Justiça quando solicitados.

Whelan tem casa no Reino Unido, além de ser um dos diretores da Match, empresa autorizada pela Fifa para comercializar ingressos para a Copa do Mundo com sede na Inglaterra. Já a mulher e os filhos de Fofana moram nos Estados Unidos. O franco-argelino possui cidadania americana.

Em 1º de julho deste ano, 11 pessoas foram presas por suspeita de integrarem o esquema. O delegado Fábio Barucke e seus policiais dizem que há provas contra os envolvidos. No caso de Fofana, de acordo com a polícia, ele obteria ingressos vips fornecidos como cortesia e venderia os bilhetes. As entradas eram adquiridas de patrocinadores, ONGs (organizações não-governamentais), jogadores e comissão técnica da seleção brasileira.

O delegado Barucke diz ainda que Fofana era o operador do esquema de venda ilegal de ingressos fazendo a ligação com o executivo da empresa Match, Raymond Whelan e os cambistas que vendiam os bilhetes na porta dos estádios. A Match era a única empresa autorizada pela Fifa para comercializar bilhetes para jogos da Copa do Mundo.

Em agosto, quando Whelan foi libertado da prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por decisão do ministro Marco Aurelio Mello havia o temor de sua fuga para o exterior. Mello destacou, em sua decisão, que Whelan deve permanecer no Rio, adotar uma postura que "se aguarda do homem integrado à sociedade" e permanecer à disposição da Justiça para prestar novos esclarecimentos.