A possibilidade de diálogo entre o PT e o PSDB

iG Minas Gerais |

Passada a radicalização da campanha, espero também ter aprendido a saber melhor a hora de falar para alcançar o que almejo – e não ser usada pelos que querem ver o circo pegar fogo, como acabei ingenuamente fazendo ao publicar o voto que eu queria ter dado no segundo turno das eleições. Penso que, nas condições existentes, o Brasil só sai do encalacrado em que se meteu se o PT e o PSDB abandonarem a sandice de se julgar inimigos entre si e, dessa forma, tornarem-se prisioneiros, cada um por sua vez, do PMDB e da miríade de partidos quase todos fisiológicos, quando não meros espelhos para tradicionais “narcisos” da política brasileira. Refiro-me aos grandes líderes de si mesmos ou de suas famílias sanguíneas ou meramente oportunistas que infestam a nossa vida pública. Em que pesem as ironias “palanqueiras” entre a vencedora e seu adversário, donos de um formidável balaio de votos, a realidade vai obrigar a adoção de partes das pautas das diferentes visões de modelo, de modo que uma baixada de bola agora, construída com vagar, mas possessivamente, pode propiciar que a presidente faça seu dever de casa (como ela própria reconhece com humildade) e o senador possa assimilar (não é ele que afirmou que “para a direita não adianta me empurrar que eu não vou”?) algumas agendas. Elas poderão significar a porta de saída dos programas meramente assistenciais, mas de grande poder de sedução eleitoral, acenando para uma sólida política estruturante que supere os sonhos de consumo imediatista e predatório. Neste passo, ouso aconselhar a Aécio Neves, que tem consigo a preciosa ajuda de Xico Graziano, a evitar que nosso bravo MST tenha de buscar ajuda nas idiossincrasias venezuelanas. Continuo sonhando isso. Não acho um sonho. Pode acontecer se houver paciência e boa vontade de lado a lado. Esse, o dever de casa que me impus. E não vou desistir. Os tucanos podem ajudar o PT agora que a própria presidente fica meio perdida. O PT é o Chacrinha dos novos tempos e, como o velho guerreiro, continua “comandando as massas” para onde tem o direito de perguntar... só para dizer “Teresinha”. Meu povo não merece isso. Gostaria de ver o próximo ano começar com tudo de novo de verdade. Será que outros vão ver isso? Claro que sim! Mas a política é feita de egos que se julgam invencíveis, e aí o bicho pega. Ela não pode comprometer a vida dos que precisam do Estado para viver. Nosso povo ainda é muito pobre em coisas materiais, mas também nossas elites são de uma ignorância crassa, já que se acostumaram a viver como dependentes da máquina do governo. A doméstica que me servia não é diferente do funcionário público abúlico, mas radicalizado, que hoje preenche cargos no governo: qual o grau de consciência crítica dos funcionários do atual ou de outros governos estadual ou federal? Qual a consciência crítica de funcionários do Senado ou da Câmara dos Deputados?! Todos precisam manter seus empregos, e isso é real. Fico com pena, mas sou privilegiada pela idade e pelas circunstâncias de minha vida. Vou insistir. Quem sabe algum dia alguém me escuta?!

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