Um governo sitiado por problemas, e o petrolão não é o maior deles

iG Minas Gerais |

DUKE
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Duas semanas após ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff se encontra sitiada por uma agenda grave e problemática que começa na base política, passa pelo petrolão e chega à economia. Apesar de a presidente resistir a abandonar o controle da economia, com os resultados fiscais cada vez piores, não parece existir outra solução a não ser ceder o posto a alguém que tenha credibilidade perante o empresariado e o mercado financeiro. A mensagem já foi dada pelo ex-presidente Lula diversas vezes, pelo menos desde o ano passado. Porém, Dilma achou que dava para segurar. Conseguiu ganhar as eleições, mas não restaurou a confiança que tinha no início de seu primeiro mandato. Outro problema grave é que o PT, em vez de louvar os ganhos que o partido promoveu, via Lula, com a estabilidade das regras e o pragmatismo, apresenta uma agenda de iniciativas disparatadas. Pior, não lembra que o governo é de coalizão e que o PT terá apenas 70 deputados federais e 12 senadores na próxima legislatura. O resto da base é um combinado que depende de acertos ainda não feitos. Ainda no campo político, a semana em Brasília foi pobre de declarações efetivas e plena de ranger de dentes e insatisfações. A começar pelo PMDB, que está muito dividido, tanto em relação ao governo quanto em relação a si mesmo. Filho estranhando pai, e vice-versa. São dois desafios: entender-se entre si e se entender com o governo. Os problemas de relacionamento refletem-se na agenda do Congresso, cujo desafio maior é remendar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para que o governo não venha a descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Temos ainda a pendência da aprovação do Orçamento de 2015 num ambiente em que a pressão de fim de ano para executar as emendas de parlamentares do Orçamento de 2014 vai ser enorme! Na economia, as desconfianças são crescentes, agravadas porque Dilma não escolhe um nome que deveria estabilizar as expectativas. A incerteza afeta investidores diretos e do mercado. Decisões são adiadas ou tomadas a partir de um viés negativo. Bancos e montadoras estão demitindo, e outros setores, revendo para baixo as expectativas para 2015. O governo não entende que seu papel é administrar expectativas. Dilma parece não se importar com o que acham de seu governo, mas também não compreende como isso afeta as decisões de natureza econômica, que, no fundo, refletem-se no emprego, na arrecadação e na inflação. Outras agendas são potencialmente negativas. O governo deve escolher um novo ministro para o Tribunal de Contas da União. O Senado espera que Dilma não sugira Ideli Salvatti. A aprovação de seu nome vai depender de elevada competência política. Uma derrota não pode ser descartada. No início do ano que vem, Dilma deverá indicar um novo nome para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorreram sondagens em torno do nome de José Eduardo Cardozo. Segundo um ministro do STF e alguns senadores, a reação não foi boa. Para agravar o “cercadinho” de problemas, o governo está sitiado pelo petrolão, que, no mínimo, afeta a desenvoltura para constituir um novo ministério. Partidos e políticos não sabem da extensão de seus envolvimentos nas delações. Enfim, com duas semanas de eleito, o novo governo começa com fragilidades evidentes e desafios imensos. Mas, sobretudo, sem a devida unidade na base política e sem a necessária confiança dos agentes econômicos. Não será fácil reverter as expectativas.

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