Dilma na contramão da equipe

Presidência da República já gastou, em 2014, 16% a mais do que em todo o ano passado

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira / Ricardo Corrêa |

Justificativa. Planalto afirmou que viagens, como formaturas do Pronatec, aumentaram os gastos
Joao Godinho - 17.2.2014
Justificativa. Planalto afirmou que viagens, como formaturas do Pronatec, aumentaram os gastos

A presidente Dilma Rousseff caminha em direção oposta à de seus ministros quando o assunto é o uso do cartão corporativo – cartão com saldo para saques e compras de produtos e serviços inerentes ao cargo público. Enquanto o montante utilizado de forma sigilosa pela Presidência neste ano já supera em 16% todo o gasto de 2013, juntas, as pastas conseguiram economizar, e muito, nas faturas. O total dos gastos dos ministérios com cartão corporativo em 2013 foi R$ 61,7 milhões, 25% menor que os R$ 46,2 milhões utilizados até novembro deste ano.

No cômputo total do uso do cartão pela Presidência – incluindo gastos de secretarias vinculadas ao Planalto –, também houve queda neste ano em relação a 2013. Contudo, os gastos secretos exclusivos de Dilma e alguns assessores diretos cresceram de R$ 5,6 milhões em 2013 para R$ 6,5 milhões de janeiro a novembro deste ano, como noticiou O TEMPO no último domingo.

Para se igualar ou superar o patamar de uso do cartão corporativo no ano anterior, os 39 ministros e assessores especiais terão que acelerar, e muito, as despesas no último mês de mandato. Apenas dois ministérios utilizaram mais o cartão neste ano: Desenvolvimento e Combate à Fome e Esporte. Nos dados disponíveis no Portal da Transparência, a pasta da Justiça está economizando, mas a Polícia Federal, subordinada ao ministério, gastou mais: R$ 10,3 milhões em 2014, ante R$ 10,2 milhões em 2013.

O cartão corporativo pode ser usado em gastos emergenciais como a compra de materiais, pagamento de prestação de serviços e o abastecimento de veículos oficiais, por exemplo. Em cada um dos ministérios, apenas um grupo restrito de servidores tem autorização para usá-lo.

Contexto. O fato de 2014 ter sido ano eleitoral pode explicar em parte a queda do uso geral do cartão, segundo o professor da Faculdade de Ciências Contábeis e Atuariais da Universidade de Brasília (UNB) Roberto Piscitelli. Ele lembra que vários ministros e servidores de confiança tiraram licença para participar do pleito.

“Com isso, o ritmo dos trabalhos e, consequentemente, do uso do cartão corporativo tende a cair. Além disso, como as contas do governo estão ruins, pode ter havido uma recomendação – ainda que informal – para que todos tentem reduzir os gastos”, analisa Piscitelli.

Secretos

Pagamentos. Parte dos gastos da Presidência, como os realizados pela Secretaria de Administração e pela Agência Brasileira de Inteligência, é mantida em sigilo por questões de segurança.

Minas gasta mais PF. A Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais aumentou em 42% seus gastos com o cartão corporativo do governo federal. Ao longo de todo o ano de 2013, foram feitos pagamentos que somaram R$ 294.273. Até novembro deste ano, já são R$ 420.178. Sigilo. Por motivo de segurança, não há detalhamento dos pagamentos por itens ou por quem os efetuou. Um balanço da PF aponta que, em 2014, foram deflagradas 19 operações da corporação no Estado.

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