Haja coração, torcedor mineiro

Cardiologista fala sobre cuidados que devem ser tomados devido às fortes emoções da final

iG Minas Gerais | Felipe Ribeiro |

O cruzeirense Azenildo e o atleticano Mauro receberam algumas dicas do médico cardiologista Felipe Prado
Mariela Guimarães
O cruzeirense Azenildo e o atleticano Mauro receberam algumas dicas do médico cardiologista Felipe Prado

Do ponto de vista científico, o coração é o responsável por bombear sangue rico para todas as células do corpo humano. Na decisão inédita para o futebol mineiro, atleticanos e cruzeirenses contarão e muito com a função reguladora do órgão, que receberá fortes emoções nos dois jogos.  

O coração vai bater mais forte do que nunca para alvinegros e celestes. Enquanto o primeiro jogo da final estiver sendo disputado dentro de campo, fora das quatro linhas um dos órgãos mais importantes do corpo estará trabalhando intensamente e com variações de acordo com cada situação vivida na partida. Dos momentos que antecedem até o fim do megaclássico, uma enxurrada de hormônios provocada pelo nervosismo tomará conta das torcidas, o que levará o funcionamento do coração a sofrer algumas alterações significativas em relação ao dia a dia. De acordo com o cardiologista Felipe Prado, diretor do Instituto Avançado do Coração, alguns cuidados devem ser tomados para que a grande festa do futebol mineiro não se transforme em problemas clínicos. “É difícil falar isso para o torcedor, mas o primeiro passo é tentar manter a calma. O nervosismo extremo faz o organismo triplicar a liberação aguda e maciça da adrenalina – o que aumenta a frequência cardíaca – e da noradrenalina – o que aumenta muito a pressão arterial. Pacientes que já tiverem algum possível ‘entupimento’ de artérias coronárias, podem infartar. Outro risco nesses casos de nervosismo é o Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, destacou o especialista. Mas calma, torcedor! Para quem pensa que o coração não vai aguentar, existe um lado bom nesse “estresse” da final. Quando as emoções são positivas – como na comemoração de um gol –, os torcedores extravasam, liberando hormônios que fazem bem: a serotonina e a endorfina. “Esses hormônios promovem a sensação de prazer e bem-estar. Consequentemente, eles ajudam na redução da pressão arterial e da frequência cardíaca”, explicou o cardiologista.

Alguns são aconselhados a não ver as partidas Para quem esperou tantos anos para acompanhar uma decisão de título nacional entre Atlético e Cruzeiro, ser privado de acompanhar esse momento não deve ser nada fácil. Porém, para evitar problemas graves e manter o bem-estar, alguns atleticanos e cruzeirenses não devem ver os jogos. Aqueles que convivem com doenças cardíacas devem colocar a saúde em primeiro lugar e apenas ficar sabendo depois o resultados dos duelos. “Não uso a palavra proibido, mas tem pessoas que são aconselhadas a não acompanhar pela TV, muito menos no estádio, onde a emoção é maior. Pessoas sabidamente portadoras de doenças cardíacas correm muito risco”, disse o cardiologista Felipe Prado.

Cinco dicas Manter a calma O nervosismo extremo triplica adrenalina (aumenta a frequência cardíaca) e noradrenalina (aumenta muito a pressão arterial). Evitar abuso de bebida alcoólica e energéticos O exagero de bebidas alcoólicas e energéticos aumenta a pressão e a frequência cardíaca. Evitar fumar no jogo O cigarro diminui a oferta de oxigênio para o músculo cardíaco, aumentando a pressão arterial e a frequência cardíaca. Alimentação saudável Evitar comidas gordurosas e excesso de sódio (sal de cozinha). Dar preferência a comidas mais leves como verduras, legumes e frutas. Relaxamento do corpo Procurar dormir bem na noite anterior e ter momentos de descanso e prazer nos dias dos jogos.

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