Do pincel para caneta: Bracher e sua literatura

O resultado são documentos com tom poético, alicerçados por pensamentos filosóficos sobre a arte

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |



Além da pintura, o artista tem se dedicado a outra frente artística
Lincon Zarbietti / O Tempo
Além da pintura, o artista tem se dedicado a outra frente artística

Se o curador da exposição “Bracher – Pintura e Permanência”, em cartaz a partir desta quarta no Centro Cultural Banco do Brasil, Olívio Tavares Araújo, compara com veemência as pinturas de Carlos Bracher, mais especificamente as paisagens de Minas Gerais, à poesia de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), com certeza não estabeleceria a mesma relação com os textos do pintor.  

“Bracher é uma pessoa que representa o papel de Bracher. Ele construiu um personagem que ele representa convictamente e é essa pessoa que cria imperdoáveis e muito rebuscados textos. Mas ele é assim, esses textos também o representam”, diz. Em texto publicado no catálogo da exposição, Araújo deixa claro que sua opinião sobre as obras literárias do amigo já foram ditas e que ele não se abalou. “Na escrita tem que ter o sujeito, predicado e complementos certos e organizados. Na pintura não precisa disso”, compara.

Independentemente das exigências de cada uma das vertentes, é certo é que a escrita faz parte das obras de Carlos Bracher, comprova isso a presença dela na exposição. “Serão expostos poemas e alguns quadros virados que abrigam no verso da tecla escritos que ele fez quando concebia aquelas pinturas”, conta a filha e produtora da exposição, Larissa Bracher.

Atriz profissional, Larissa conta estar feliz por trabalhar pela primeira vez em uma exposição do pai. Ela também confessa que a produção literária dele vem aumentando ferozmente. “O papai sempre escreve, ele é uma daquelas pessoas que ainda manda cartas, longas cartas. Mas nos últimos anos, tem escrito muitos poemas, às vezes acorda à noite e passa a madrugada toda escrevendo”, diz.

O resultado são documentos com tom poético, alicerçados por pensamentos filosóficos sobre a arte. A obra que melhor representa a veia literária de Bracher, segundo Larissa, é o livro “Ouro Preto Olhar Poético”, lançado em 2010. “Ele descreve, entre outras coisas, como a cidade de Ouro Preto desenvolveu-se tanto e Serra Pelada, que também tem um história similar, não”, pincela Larissa.

Amigo de escritores famosos, como Vinicius de Moraes e Affonso Romano de Sant’Anna, Carlos Bracher encontrou nas letras uma outra forma de expressar sua pulsão artística, e o faz de sua forma sensibilidade manifesta: inquietamente. “A minha ideia é desvendar esse enigma que paira sobre as artes. E a pintura é um caminho para isso, a escrita é outro”, afirma o pintor, que completa: “Planejo me dedicar cada vez mais à escrita.”

Agenda

O quê. Exposição “Bracher – Pintura e Permanência”

Quando. A partir desta quarta até 12 de janeiro

Onde. Centro Cultural Banco do Brasil (praça da Liberdade, 450, Funcionários)

Quanto. Entrada franca

Performance ao vivo

Vem aí. Integra o projeto curatorial da exposição uma apresentação ao vivo de Carlos Bracher. A performance está prevista para acontecer no próximo dia 10 de dezembro, também no Centro Cultural Banco do Brasil, e será realizada dentro do ambiente que simula seus ateliê de Ouro Preto. O horário ainda não está definido e qualquer pessoa poderá assistir a criação de um novo quadro do pintor. Mais informações: www.culturabancodobrasil.com.br

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