MP apreende peças de valor histórico em galpão da região Nortede de BH

Operação denominada Barroco Mineiro teve início em setembro de 2013 depois que a operação Morojó constatou que que bens culturais foram retirados ilicitamente do Engenho Morojó, em Pernambuco, e levados para a capital mineira

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Ministério Publico deflagrou operação para resgatar pecas do barroco mineiro que estavam depositadas judicialmente para o IPHAN de Pernambuco, estavam em um galpão da região nordeste da capital mineira
NIDIN SANCHES / O TEMPO
Ministério Publico deflagrou operação para resgatar pecas do barroco mineiro que estavam depositadas judicialmente para o IPHAN de Pernambuco, estavam em um galpão da região nordeste da capital mineira

Uma operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com o apoio  de órgãos de fiscalização, segurança e Justiça, localizou peças de valor histórico, documentos e fotografias de peças sacras, nesta terça-feira (11), em um galpão na Região Nordeste de Belo Horizonte. 

Conforme o MPMG, a Operação denominada Barroco Mineiro teve início em setembro de 2013. Na época, foi descoberto durante operação Morojó, realizada pela Polícia Federal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) constatou que bens culturais do Engenho Morojó, situado em Pernambuco e tombado em nível federal, foram retirados ilicitamente do local e transportados para o galpão em Belo Horizonte.

Alguns documentos recuperados nesta terça remetem à década de 70, indicando mais de quatro décadas de atividade envolvendo o comércio de bens culturais.

Segundo o coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, Marcos Paulo de Souza Miranda, foram identificadas peças provenientes do norte de Minas, da Bahia e de Pernambuco e alguns documentos registrando vendas para Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. “Essa movimentação demonstra a existência de um polo de receptação de bens culturais aqui. Com as informações que identificam a origem das peças e para onde foram encaminhadas, vamos começar um trabalho de averiguação da atual localização delas e da natureza, se lícita ou ilícita, das negociações”, disse ele.

Material encontrado

Foram apreendidos um sino do século XIX, uma balaustrada de madeira, um forro de capela, um armário de sacristia, um púlpito e fragmentos de arco e de trono de um altar. Entre as cerca de 500 fotos encontradas se destacam três de esculturas sacras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e uma de Francisco Xavier de Brito, outro importante artista do período colonial mineiro. Segundo informações preliminares, as peças teriam sido vendidas para colecionadores de São Paulo.

Para Marcos Paulo, o fato de se tratarem de peças eruditas evidencia o conhecimento dos envolvidos sobre obras de arte. “As peças eram previamente selecionadas e posteriormente alienadas ou transferidas para comerciantes de antiguidades e colecionadores”, explica o promotor de Justiça, ressaltando constarem nas anotações nomes de conhecidos colecionadores do país.

A apreensão de material de demolição de casarões dos séculos XVIII e XIX serve de alerta, segundo Marcos Paulo, para o fenômeno do grande uso desse tipo de produto para fins de decoração, o que incentiva destruição do patrimônio cultural do estado.

Início

Em levantamento preliminar, técnicos do MPMG, do Iphan e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) constataram a existência, no galpão, de bens com características de serem integrantes de templos coloniais mineiros e de material de demolição retirado de casarões históricos.

Coordenada pela Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, a operação contou também com a participação dos Centros de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (Caocrimo) e de Combate aos Crimes contra a Ordem Econômica e Tributária (Caoet), órgãos do MPMG. A ação também contou com o apoio do Iphan, do Iepha-MG, da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Fazenda.

As peças e documentos estão depositadas judicialmente, sob a responsabilidade do Iphan, para avaliação e perícia.

O nome Barroco Mineiro foi escolhido pelo fato de a operação ocorrer no mês do bicentenário da morte de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, falecido em 18 de novembro de 1814, considerado o maior mestre do estilo.

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