Petição pede que PF proíba entrada de homem 'conquistador de mulheres'

Americano, Julie Blanc, é conhecido por 'ensinar' táticas como: ignorar quando mulheres dizem não, fazer ofensas racistas, atacar a autoestima das mulheres

iG Minas Gerais | BERNARDO ALMEIDA |

Norte-americano Julie Blanc ensina métodos agressivos para abordar mulheres
Reprodução/ YouTube
Norte-americano Julie Blanc ensina métodos agressivos para abordar mulheres

Uma petição foi criada nesta segunda-feira (11) no portal Avaaz para reivindicar que o norte-americano Julien Blanc seja impedido de entrar no Brasil, em janeiro do ano que vem, para ministrar seminários em que ensina homens a abordar mulheres de uma maneira agressiva.

Blanc se intitula como consultor em conquistar mulheres. De acordo com a petição, ele “é conhecido por ‘ensinar’ táticas como: ignorar quando mulheres dizem não, fazer ofensas racistas, atacar a autoestima das mulheres e a grande ‘tática’ dele, é chegar sufocando mulheres em bares, com as mãos ao redor do pescoço”.

Em função disso, o texto reforça que a conferência exalta a cultura do estupro, o crime de agressão e racismo, e profundo desrespeito pelas mulheres”. Iniciado às 10h30 desta segunda, o movimento já contabilizava mais de 50 mil assinaturas até o fechamento desta edição, com o objetivo de atingir 100 mil.

Uma das responsáveis pela iniciativa é a publicitária paulista Jéssica Mota, de 23 anos, integrante de um grupo que combate a violência contra a mulher, o Rua Nua. Ela diz ter procurado a Delegacia de Imigração da Polícia Federal e a Secretaria de Política para Mulheres da Presidência da República.

“Fiquei sabendo da vinda dele através do nosso movimento e decidi fazer alguma coisa a respeito. Já estamos familiarizados com essa cultura, agora imagina um cara dando aula disso”, conta Jéssica, que anexou ao documento vários links sobre Julien Blanc, como reportagens de sua passagem por outros países e vídeos que mostram parte do que ele ensina nos seminários.

Em um deles, ele conta como, em uma visita à cidade de Tóquio, utilizava métodos agressivos, o que era bem aceito pelas mulheres japonesas, por se tratar de um estrangeiro, e ainda por cima branco. “Uma das coisas que ele ensina é pegar as mulheres pelo cabelo e puxar a cabeça delas até o próprio pênis”, diz Jéssica, indignada.

No site de Julien, há duas conferências agendadas para o Brasil: primeiro em Florianópolis (SC), entre os dias 22 e 24 de janeiro, e depois no Rio de Janeiro, entre os dias 29 e 32. Procurada pela reportagem, a empresa de consultoria, RSD (sigla para Real Social Dynamics) não respondeu à reportagem.

A Polícia Federal informou que ainda não tem posicionamento sobre o tema. Já a Secretaria de Políticas para as Mulheres confirmou o recebimento das denúncias na ouvidoria, e que deverá encaminhar o caso para o Ministério Público Federal.

 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave