“Comido vivo por serpente” provoca fúria dos cientistas

Petição on-line que prega boicote ao Discovery Channel tem 22 mil assinaturas em 5 dias

iG Minas Gerais | Aline Reskalla |

Coragem. O aventureiro Paul Rosolie se defende das críticas: “Jamais faria mal a qualquer ser vivo”
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Coragem. O aventureiro Paul Rosolie se defende das críticas: “Jamais faria mal a qualquer ser vivo”

Stephen Secor, professor do Departamento de Biologia da Universidade do Alabama, nos EUA, conta que em dezembro de 2013 foi procurado pelo Discovery Channel para que participasse de uma experiência inédita como conselheiro científico. Ele presenciaria o jovem aventureiro norte-americano e naturalista Paul Rosolie sendo engolido vivo de propósito por uma sucuri, ou anaconda, como costuma ser chamada a maior serpente do mundo. O professor ficou chocado e disse que jamais participaria de tal “show”.

Porém, o experimento acabou acontecendo de fato, dando origem a um documentário controverso que será exibido mundialmente pelo canal no dia 7 dezembro. “Sou Paul Rosolie e estou prestes a me tornar a primeira pessoa a ser comida viva por uma anaconda”, anuncia, em um vídeo de 30 segundos publicado no Twitter, para promover o programa “Eaten Alive” (em português, “Comido vivo”).

O projeto motivou a fúria de biólogos e entidades de defesa dos animais mundo afora, que criaram uma petição on-line pregando a não-exibição do filme e ainda um boicote ao Discovery. Em cinco dias, o movimento já havia alcançado a adesão de 22 mil pessoas – até às 16h de ontem.

Rosolie teria usado uma roupa especial para ser engolido pela sucuri na Amazônia brasileira.

O professor procurado pelo Discovery para assessorar a experiência publicou um relato de protesto no site oficial da petição. Diz ter ficado chocado e sugerido aos produtores que, em vez do que ele chama de show, eles fizessem uma experiência realmente científica mostrando as incríveis características do animal. “Eu jamais participaria de qualquer projeto envolvendo alguém sendo engolido por uma anaconda”, diz.

Amador. Ele criticou também o canal por não optar por cientistas profissionais, mas por um “naturalista amador”. O autor do abaixo-assinado virtual, o norte-americano Ben Paramonte, de São Francisco, nos EUA, afirma que trata-se de um caso de abuso de animais que reforça o estereótipo negativo das serpentes, pois espécies como as anacondas não têm os humanos como presas e podem não suportar a experiência. “Por favor, assine a petição, boicote o Discovery Channel e ajude a tirar esse show do ar”, defende. Segundo ele, o documentário coloca em xeque a credibilidade do canal.

A emissora postou no YouTube um trecho do programa e, nele, Rosolie aparece colocando um traje feito especialmente para que ele pudesse entrar de cabeça no estômago do gigantesco réptil, e uma corda para que fosse puxado para fora.

Apesar do silêncio do Discovery, o periódico “Entertainment Weekly” apurou que Rosolie se besuntou em sangue de porco para atrair o bicho, e que a cobra não morreu durante a gravação.

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