Fraude na Corval chega a R$ 10 mi

Em um dos casos, só R$ 110 mil de R$ 2,2 milhões investidos foram realmente aplicados

iG Minas Gerais |

Fechada. Corretora de Belo Horizonte, liquidada pelo BC, funcionava na avenida Bandeirantes
JOAO GODINHO/ O TEMPO
Fechada. Corretora de Belo Horizonte, liquidada pelo BC, funcionava na avenida Bandeirantes

SÃO PAULO. A liquidação de uma corretora em Belo Horizonte acendeu o sinal amarelo entre os investidores de título públicos. A Corval era uma das instituições financeiras que tinha autorização do Tesouro Nacional para operar o Tesouro Direto. No entanto, fez uma série de manobras que já resultaram em uma fraude de cerca de R$ 10 milhões, com 110 investidores prejudicados, segundo uma pessoa próxima ao processo de intervenção da corretora. O número pode crescer, já que a instituição tinha 2.500 clientes ativos.

O Banco Central decretou, em 11 de setembro, a liquidação da corretora por verificar que a Corval não tinha mais condições financeiras para operar (o patrimônio líquido já estava negativo). No entanto, foi descoberta também uma série de fraudes que resultaram em perdas financeiras aos clientes. No caso do Tesouro Direito, a corretora convenceu os investidores a retirarem os títulos da custódia da Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e passar para a Selic, que é um outro sistema de custódia. Foi nessa transferência que a manobra financeira teve início.

Na CBLC, cada cliente tem uma conta própria, identificada com o seu CPF. Nela, apenas o investidor pode fazer as transações ou realizar a venda. Ao migrar para a Selic, os títulos públicos foram colocados em uma conta única em nome da corretora, que também é uma agente de custódia. A partir desse momento, os clientes deixaram de ter o controle sobre a movimentação, e isso deu espaço para que os administradores da corretora dessem outra finalidade a esses papéis – como a utilização deles como garantia em outras operações do mercado financeiro ou mesmo a venda.

Procurada, a BM&FBovespa Supervisão de Mercado (BSM), órgão que supervisiona as operações realizadas na Bolsa e também das movimentações da CBLC, afirmou que a transferência para a Selic é feita apenas com a aprovação do cliente. “Os problemas enfrentados pelos clientes da Corval foram causados por violações às normas legais e estatutárias que disciplinam as suas atividades”, afirmou, em nota. Procurados, Tesouro Nacional e Banco Central ainda não se manifestaram.

Um dos lesados tinha investido quase R$ 270 mil em títulos do Tesouro Direto. Ele era cliente recente da corretora e, pouco antes da liquidação, foi convencido a transferir os títulos da CBLC para a Selic com a justificativa que assim não pagaria taxa de custódia. Mas também há perdas milionárias. Um clube de Pernambuco descobriu, após a intervenção do BC, que apenas R$ 110 mil dos R$ 2,2 milhões investidos estavam de fato aplicados. Há ainda reclamações de clientes que fizeram depósitos na conta da corretora, mas as operações não foram de concluídas. Dirigentes de corretoras afirmam que a prática comum, e mais segura para o cliente, é deixar todas os títulos do Tesouro Direto na CBLC em nome do investidor.

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