Governo eleito quer criar blocão

Além do grupo governista e da oposição, Assembleia poderá contar com uma ala independente

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Negociação. Os deputados estaduais mineiros reeleitos e eleitos estão sendo procurados por representantes da próxima administração
Willian Dias / ALMG / Divulgacao
Negociação. Os deputados estaduais mineiros reeleitos e eleitos estão sendo procurados por representantes da próxima administração

Depois de anos se alinhando no Estado a projetos opostos aos de suas direções nacionais e fazendo o chamado “apoio cruzado”, partidos como PR, PSD e PDT podem se aliar ao PT em âmbito federal e local. As três legendas negociam participar de um blocão na Assembleia de Minas para aumentar a sustentação do governador eleito Fernando Pimentel (PT) na Casa. As conversas, até o momento, passam por uma negociação entre os parlamentares eleitos para a próxima Legislatura, mas certamente devem gerar reflexos na composição do novo secretariado estadual.

Atualmente, PT, PMDB, PCdoB, PROS e PRB – legendas que se uniram ao governador eleito Fernando Pimentel na campanha – somam 26 nomes. Caso PR, PSD e PDT – que apoiaram a reeleição da presidente Dilma Rousseff – decidam por compor a base, o número de aliados subiria para 38. Também está sendo procurado o PV, que conta com outros quatro nomes eleitos.

Segundo o deputado Fábio Cherem (PSD), as negociações para formação da base de Pimentel estão sendo lideradas pelo vice-governador eleito, Antônio Andrade, e caminham para um acordo. “Estou confortável com a aproximação. Fui dissidente desde a eleição e não participei de nada do PSDB. Entendo que a Assembleia tem que criar condições para o novo governador”, ressalta. “Se o governador nos chamar para uma secretaria, estamos dispostos a contribuir”, completa Cherem.

No caso do PR, o secretário geral da sigla, Lincoln Portela, confirma que há negociação nesse sentido. “Por parte do partido não há intenção de se fazer nenhuma oposição. É natural uma composição de governo, até porque nacionalmente somos aliados do PT”, afirma ele, que confirma que, se a aliança for confirmada, o partido irá receber pastas.

Alternativa. Deputado pelo PDT, Sargento Rodrigues diz ver positivamente a tentativa de formação de um bloco, mas admite que é possível a criação de um grupo alternativo, que ficaria “independente” no Legislativo. “É natural a negociação, mas o PDT também está trabalhando PSD, PV e PSB para analisar outro bloco com até 21 deputados. Mas ele seria totalmente em separado do PSDB, que é oposição”, justifica.

Para o presidente estadual do PDT, Mário Heringer, uma reunião interna da sigla definiu que qualquer negociação precisa ocorrer de forma institucional. “Oficialmente, estamos aguardando um contato. Se formos procurados vamos conversar”, confirma.

Caso o bloco se viabilize, três diferentes grupos vão dividir forças: o governista, o independente e a oposição.

Entenda

Prazo.  Os acordos sobre a composição de blocos na Assembleia só devem ser fechados no fim do ano, próximo à data da posse de Fernando Pimentel no governo. Negociação. Se as legendas não chegarem a um acordo na negociação com os petistas, o Legislativo terá três blocos distintos: 1.  A base de Pimentel no Legislativo terá além do partido do governador, o PT, PMDB, PCdoB e PROS. 2. Se um bloco independente for criado, ele terá PDT, PR, PSD, PSB, PTB e PV. 3. A oposição, até o momento, tem o apoio de PSDB, DEM e PP.

Sem o PTB

Neutro. Deputado pelo PTB, Arlen Santiago diz que seu partido não irá apoiar Pimentel na Assembleia. “Não fui procurado, mas não teremos bloco com eles. Queremos ser neutros”.

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