O que será de Pimentel?

iG Minas Gerais |

A nova relação de forças na Assembleia de Minas, a partir do ano que vem, vai deixar os processos na Casa bem mais interessantes. Haverá uma oposição com força numérica o suficiente para agir como tal e vender caro a aprovação de qualquer projeto que o novo governo venha a enviar. A vantagem do bloco governista não será das maiores, de mais ou menos 47 x 30 deputados. Seria ainda mais estreita se Aécio vencesse a disputa presidencial e puxasse para o lado do PSDB, em âmbito nacional, vários partidos-satélite que, por aqui, iriam se bandear para a oposição. Os oposicionistas, puxados pelos tucanos, prometem mesmo oposição de verdade na Assembleia, franca, constante, mas responsável, seja lá o que isso queira dizer. Sobre as promessas ousadas que levaram à renovação em favor de Fernando Pimentel, os parlamentares aecistas, desde já, lançam fulminante descrédito sobre todas: “Não vai conseguir fazer nada”, vaticina-se com um riso de deboche no canto da boca. Talvez seja o caso de torcer contra. Talvez, contudo, seja a previsão mais provável, independentemente das preferências de torcida. A resistência numérica que Pimentel enfrentará na Assembleia, diferentemente de Aécio e Anastasia, será só a primeira das barreiras. A Lei Orçamentária Anual que a Casa aprovará até dezembro, comenta-se, prevê o pior nível de recursos disponíveis para investimento desde 2012. A expectativa de arrecadação também não deve ser das melhores, visto o compasso letárgico da atividade econômica. Em suma, as finanças de Minas parecem estar encolhendo. Na Cidade Administrativa, o boato é de que o pagamento do 13º do funcionalismo vai atrasar e que os servidores terceirizados em fim de contrato são devolvidos à empresa de recrutamento para que se reduza o peso da folha entre as despesas correntes. O resultado fiscal de 2014 será “delicado” para o governo de Minas, ao que tudo indica. A considerar esse cenário, como ficarão os centros de especialidades médicas regionais que Pimentel prometeu construir? Como ficarão as escolas integrais e as técnicas? E o investimento em policiamento com novas viaturas equipadas? Como poderão ser prestadas contrapartidas para a reforma do Anel e a ampliação do metrô, já que, a partir de 2015, o Planalto e BH passarão a falar a mesma língua? O próximo ano será o da “herança maldita” para o novo governo, não vai ter outro jeito. Mas, e se em 2016 esse discurso ainda se mostrar necessário? Aí pode começar a pegar mal. Alternância de poder é um processo curioso: uma nova proposta é eleita para substituir outra desgastada; contudo, o desgaste estabelecido, enraizado, acaba por afetar a performance de quem chega. Se for esse mesmo o quadro futuro, o eleitor irá entender as dificuldades iniciais ou vai se decepcionar? Depende de qual discurso colar melhor, o do governo prejudicado ou o da oposição descrente. Ou seja, em Minas, 2018 é logo ali.

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