Procuradoria pede prisão preventiva de Pizzolato

Enquanto aguardava julgamento, mensaleiro emitiu RG, CPF, passaporte e título de eleitor em nome do seu irmão, Celso Pizzolato, morto em 1978

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O Ministério Público Federal em Santa Catarina pediu a prisão preventiva de Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil condenado no processo do mensalão, pela expedição e uso de documentos falsos para fugir do Brasil, em setembro de 2013. A acusação foi enviada à 1ª Vara da Justiça Federal, em Lages (SC).

Enquanto aguardava julgamento, Pizzolato emitiu RG, CPF, passaporte e título de eleitor em nome do seu irmão, Celso Pizzolato, morto em 1978. O ex-diretor do BB também se passou por Celso em outras ocasiões, como para acertar as contas com a Receita Federal.

Como o irmão, ele votou nos dois turnos da eleição de 2008 no Rio de Janeiro. Em 2010, não compareceu às urnas nem justificou a ausência nas eleições, mas pagou as multas em janeiro do ano seguinte.

Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, Pizzolato, que tem dupla cidadania, viveu clandestinamente na Europa até fevereiro, quando foi detido pelas autoridades italianas.

No dia 28 de outubro, o pedido de extradição de Pizzolato foi negado pela Corte de Apelação de Bolonha. O ex-diretor do BB foi solto no mesmo dia.

Falsidade ideológica

Na nova acusação do MPF, o procurador Nazareno Jorgealém Wolff diz que Pizzolato cometeu falsidade ideológica ao produzir sete documentos com o nome do irmão e utilizá-los por 12 vezes.

A denúncia foi encaminhada à Justiça Federal na quinta-feira (6) e divulgada nesta terça (10). O procurador pede que a prisão preventiva seja feita com base no tratado de cooperação judiciária que o Brasil mantém com a Itália.

Wolff também pediu que o processo seja encaminhado para a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro para a investigação de supostos crimes eleitorais cometidos por Pizzolato.

Para o presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, Eduardo Carvalho Tess, o pedido da Procuradoria é um "tiro n'água" e não deve ter resultados práticos, já que não apresenta elementos novos que justifiquem uma mudança de entendimento da Justiça italiana em relação ao caso.

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