Tragédia anunciada

iG Minas Gerais |

Informações amplamente divulgadas pela imprensa nos últimos dias revelam o balanço financeiro das campanhas eleitorais. Somas fabulosas foram empregadas para levar ao eleitor de todo país a propaganda e promessas dos candidatos. Os números denunciam duas situações especiais: como tais fundos partidários foram construídos e o que esperar a partir de agora como forma de se compensar tais contribuições feitas por grandes empreiteiras, por expressivos grupos do mercado financeiro e de setores da indústria, do comércio atacadista. Enfim, muitos deles figuras de proa dos inquéritos da Polícia e do Ministério Público que investigam corrupção, tráfico de influência e outros delitos codificados como práticas de improbidade administrativa de inúmeros governos, Brasil afora. Em paralelo, está em campo a guerra pelo loteamento administrativo dos Estados e do próprio Governo Federal e consequente ocupação de cargos de confiança, que são na sua grande maioria, os espaços para onde os eleitos destinam aqueles que lhe foram essenciais no seu projeto de poder, como forma de agradecimento e compensação. A cada quatro anos esse é o filme que se repete. Em Minas, para se ter uma ideia da importância dessa tarefa, há perto de 17 mil cargos para se ocupar apenas por indicação política, sem a necessidade de concurso público ou qualquer rigor na avaliação de perfil e competência dos escolhidos. O critério é o da confiança, que quase sempre representa compadrio, conluio e favoritismo. Deixemos de lado a prática atual de preenchimento dos cargos do Poder Judiciário nos tribunais superiores, dos Estados e da União, todos providos pela opção e consequente condução política de governadores e de presidentes da República e ainda dos membros dos Tribunais de Contas, da União e dos Estados, que apesar de serem órgãos vinculados ao Poder Legislativo têm também seus membros indicados pelos chefes dos executivos. Apenas para nos concentrarmos nesses dois aspectos, o dos gastos e financiamento privado das campanhas eleitorais e o relativo ao estoque dos cargos de confiança queimado na mudança de governos, a reforma política e a do setor público no Brasil não pode seguir como uma tentação ou desejo. Trata-se de uma necessidade imperativa, inadiável, para sobrevivência do Brasil, para que não continuemos a assistir os municípios, Estados e a União sendo exaustivamente sangrados pela corrupção para se manterem batalhões de sanguessugas, de incapazes, de aproveitadores que passam a vida de forma improdutiva, sem conseguirem registrar qualquer atitude que possa significar uma contribuição à transformação que a geração atual e as futuras de brasileiros não podem mais verem adiada. Se não empreendermos essas mudanças, podemos esperar pela catástrofe social que se avizinha. O Brasil não aguenta mais.

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