Diálogos entre prosadores

Ismael Caneppele e Socorro Acioli participam do Sempre Um Papo, que acontece nesta segunda à noite na Sala Juvenal Dias

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Autor.
 Ismael Caneppele tem concluído um novo livro, “A Baleia”, a ser lançado a partir de 2015, e a peça de teatro “Corte Seco”
Tuane Eggers
Autor. Ismael Caneppele tem concluído um novo livro, “A Baleia”, a ser lançado a partir de 2015, e a peça de teatro “Corte Seco”

O escritor gaúcho Ismael Caneppele e a cearense Socorro Acioli conversam sobre a escrita de ficção no evento Sempre Um Papo, a ser realizado nesta segunda, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes. Enquanto o primeiro traz consigo a experiência de produção de dois romances, “Música para Quando as Luzes Se Apagam” (2007) e “Os Famosos e os Duendes da Morte” (2010), além de roteiros para cinema e peças de teatro, Acioli compartilha a criação de “A Cabeça do Santo”, romance que mostra ao público após publicar duas biografias, “Frei Tito” (2001) e “Rachel de Queiroz” (2003).

Com a carreira iniciada no teatro, Caneppele conta que desenvolveu sua relação com a literatura motivado por Gerald Thomas, que o conheceu em São Paulo, quando o autor chegou de Lajedo, no Rio Grande do Sul, de onde se mudou aos 17 anos.

“Naquela época, eu peguei um ônibus e fui para São Paulo sem conhecer ninguém. Procurei lá Geraldo Thomas, que se tornou um amigo, e passei a trabalhar na sua companhia. Com eles eu rodei o mundo, e algo que Thomas sempre me pedia era que eu escrevesse os meus próprios monólogos. Ele, então, foi quem me instigou a escrever as minhas cenas, me dando uma liberdade que depois me levou a produzir outras coisas”, recorda Ismael Caneppele.

Em seu primeiro romance, “Música para Quando as Luzes Se Apagam”, ele se debruça sobre a temática da adolescência, que seria retomada depois em “Os Famosos e os Duendes da Morte”. Este inclusive foi roteirizado por ele, em seguida, ganhando uma versão no cinema filmada por Esmir Filho em 2009. Ao refletir sobre a recorrência do olhar para essa etapa da vida, ele explica a maneira como tal passagem lhe sugere ideias sobre o profundo desejo de mudança.

“A adolescência representa uma primeira possibilidade de partir. Quando nascemos, nós chegamos ao mundo meio sem querer. Na adolescência é que percebemos que é preciso dar um outro passo, partir para ficarmos de pé, caso contrário se é um perdedor. É esse impulso de partida que me interessa em torno desse tema”, explica Caneppele.

Se em “Os Famosos e os Duendes da Morte” o protagonista lida com uma realidade mais próxima da atual, em que adolescentes se comunicam o tempo todo via internet e redes sociais, o volume anterior recorda um momento mais nostálgico. O aparelho discman, os CDs e as ligações ocupam mais espaço na rotina dos personagens, ao invés das trocas de mensagens via celular tão comuns no dia a dia dos adolescentes de hoje.

Os diferentes cenários, de acordo com o escritor, revelam impactos diretos no desenvolvimento da dinâmica presente nas duas narrativas.

“Em ‘Música para Quando as Luzes Se Apagam’, por exemplo, o garoto protagonista precisa resolver as questões dele na cidade onde vive. Já em ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’, o personagem já lida com a internet e isso permite que ele sonhe em partir do lugar em que está. Ou seja, ele encontra a saída para o que busca fora do seu ambiente”, compara Caneppele.

Outro ponto em comum entre as obras é a relação íntima com o universo da música. “Nos dois livros os personagens têm como grandes referências cantores de bandas que motivam suas ações. No primeiro, quem guia os passos do protagonista é a banda The Libertines. Já no segundo, o personagem se inspira em Bob Dylan. A música, assim, é algo muito presente. Eu mesmo sempre fui mais próximo dos músicos do que dos escritores”, diz.

Ele acrescenta que em breve deve sair mais um filme em parceria com Esmir Filho, chamado “A Baleia”, acompanhado também de livro de mesmo nome. Recentemente, ele também ganhou o prêmio Funarte de dramaturgia com o texto “Corte Seco”, que vai dar origem a uma peça. “Será um monólogo sobre os cortes irreversíveis que fazemos na vida. A peça nasceu de um disco que estou compondo”, revela.

Agenda

O quê. Ismael Canepelle e Socorro Acioli participam do Sempre Um Papo

Quando. Nesta segunda, às 19h30

Onde. Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, centro)

Quanto. Entrada franca

Saiba mais

Oficina. O escritor Ismael Caneppele realiza uma oficina de roteiro voltada para escritores, cineastas, autores de peças de teatro e quadrinhos. As atividades acontecem nesta terça e quarta-feira, no Guajajaras Coworking (rua dos Guajajaras, 628 conj. 211, centro). Inscrições no site: www.guajajaras.cc

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