Cinema à moda antiga

Festival chega a BH com pré-estreias e clássicos misturados a festas e shows de grandes nomes da MPB

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Clássicos. Longas como “Laranja Mecânica” são exibidos ao ar livre, sobre tela de grandes dimensões
David Argentino / I Hate Flash
Clássicos. Longas como “Laranja Mecânica” são exibidos ao ar livre, sobre tela de grandes dimensões

Nos seus primórdios, pouco depois de ser inventado pelos irmãos Lumière, o cinema era apenas uma atração em um programa bem maior. Projetado em bares, teatros ou casas de shows, ele era seguido por números de dança, vaudeville, mágica, música, num verdadeiro espetáculo de variedades que era a balada mais hype do fim do século XIX. É essa experiência que o Vivo Open Air vem resgatando há 12 anos. Ao promover uma noite ancorada por uma sessão de cinema ao ar livre, seguida por shows ou festas, o evento começou na Suíça, já passou por cidades na Espanha, Alemanha e Chile, assim como Porto Alegre, Recife e Brasília. Entre quinta-feira (13) e o dia 30, chega à capital mineira. “A gente quer celebrar o cinema. E conseguir instalar nossa tela na frente do belo horizonte de Belo Horizonte, casar essa beleza com a beleza das imagens, foi ideal”, considera Renato Byington, diretor-geral do evento. Essa tela de cinema, vale ressaltar, é a maior do mundo, com 325 m2. E esse visual remete ao Mirante Olhos D’água, que abrigará o Vivo Open Air aqui – e cujo isolamento, os realizadores sabem, poder ser um desafio. Na visão do diretor, contudo, a distância é um fator cultural, um costume. “Para muita gente, o Mirante é mais perto do que a Pampulha, só que as pessoas são mais acostumadas a ir ao Mineirão”, brinca, explicando que o local foi escolhido não só pela bela vista da cidade, mas por apresentar condições de escuridão e silêncio ideais a uma sessão de cinema. Com sistema de projeção digital e áudio de primeiro mundo (vindo da Suíça especialmente para o evento), e uma arquibancada de poltronas acolchoadas, condições ideais são mesmo uma das marcas do Open Air. A outra é uma programação diversificada e provocadora, que tem início nesta quinta (13). Na programação estão o saxofonista Sergio Danilo, uma seleção de curtas mineiros, a pré-estreia de “Uma Longa Viagem” – filme sobre a Segunda Guerra estrelado por Nicole Kidman – e o mineiro Flávio Renegado, com o show de lançamento de seu novo DVD “#suaveaovivo”. A aparente esquizofrenia não é por acaso. “A gente já passou ‘E La Nave Va’, do Fellini, com um show do Marcelo D2 no Rio de Janeiro”, recorda o diretor. Em Belo Horizonte, o evento mistura ainda Roberta Sá com o filme “Trapaça” (dia 15), e a festa Camarime com “Laranja Mecânica” (29). Além disso, há uma noite anos 1980, com “Curtindo a Vida Adoidado” seguido pela festa Ploc (14), “Pulp Fiction” e a festa Alta Fidelidade (28), e uma quarta que começa às 20h e segue madrugada adentro com a trilogia original de “Star Wars” na íntegra (19). “Entramos em contato com o conselho Jedi daí, e quem for fantasiado de algum personagem do filme paga meia. Temos certeza de que vai aparecer muito Darth Vader por lá”, garante Byington. Para ele, é o cinema que determina o perfil do público da noite, com muita gente que vai só ver o longa. “Mas a maioria entende a proposta e vai com o intuito de ter uma noite bacana, com um cinema ótimo, um show ótimo”, aposta. Também é possível que alguém vá só pela música, já que os cerca de mil lugares do cinema se tornam em 2.000 nas festas e shows, com os retardatários podendo comprar ingressos do segundo lote após o fim da sessão. “Quando começamos o Open Air, achávamos que ninguém ia querer entrar depois dos filmes, mas aí o evento virou evento, e as pessoas exigiram que a gente continuasse vendendo ingressos depois da sessão começar”, conta. Apesar da proporção que o festival foi tomando e da estrutura que promete ser de primeiro mundo, o diretor rechaça a imagem de “balada yellow block”. “É um evento muito sofisticado, mas nada excludente. Não é metido a besta”, defende. Byington explica que é normal as pessoas irem jantar, ou a um show ou uma festa depois do cinema – no Open Air, eles têm tudo isso num mesmo programa, por R$ 40, incluindo um saco de pipoca. “Não tem área vip, o evento todo é vip e você paga R$ 20”, afirma, em referência à meia-entrada. Para ele, não faltam razões para comparecer à festa. “A vista do lugar é um motivo, assim como o som, o filme e sua celebração”, afirma.

Vivo Open Air Quando. De 13 a 30/11 Onde. Mirante Olhos D´Água (rua Gabriela de Melo, s/nº, Olhos D’Água) Quanto. R$ 40 (inteira) – ou R$ 60 (inteira), no lote de ingressos exclusivos para os shows e as festas Programação completa e venda de ingressos. www.openairbrasil.com.br

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