O branco entre o preto e o azul

iG Minas Gerais |

Hélvio
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As cores preta e azul dominam o cotidiano belo-horizontino como nunca antes na história e acredito que o mesmo esteja acontecendo pelo interior de Minas Gerais. Observo com mais atenção as vestes pra lá e pra cá nas ruas e vejo que nesses dois tons predominantes, o branco está presente. Uma vez ou outra me sinto instigado a invadir aqui o espaço dos comentaristas ou cronistas esportivos. É o que acontece agora, às vésperas da verdadeira batalha campal em que Atlético e Cruzeiro vão disputar um título nacional a partir de depois de amanhã. Pelo que ouvi até agora, nenhum profundo estudioso do esporte encontrou confronto mineiro de tal monta no percurso desse esporte bretão. Eu, que comecei a frequentar o Mineirão levado por meu pai no fim dos anos 1970, só agora presenciarei, mesmo que seja pela TV, tal guerra entre quatro linhas. Imaginar que seja só entre quatro linhas é, você deve estar dizendo, uma dimensão utópica. Obviamente. Os ânimos já estão acirrados e me remetem há semanas atrás, quando a eleição presidencial também dividiu duas “torcidas” e também como nunca antes. As agressões físicas foram relativamente poucas levando-se em conta a estratosfera a que chegaram as agressões verbais que não vão cicatrizar a curto prazo. Famílias se dividiram ferrenhamente, a internet concentrou o campo de batalha e quem sabe até por isso não tenhamos visto sangue nas ruas. Em Belo Horizonte a situação promete voltar a ser tensa nas próximas semanas, pelo futebol. Depois dos dois grandes jogos de quarta-feira passada, em que Atlético e Cruzeiro conquistaram com muito suor e superação as vagas para a final que vai começar, ouvi um comentarista dizer na televisão, eufórico com o que presenciara nas partidas, que o futebol é a maior invenção do homem. Se o homem é a maior invenção de Deus, a do homem seria a disputa por chegar ao gol com a bola, a rainha do imponderável que faz a magia desse esporte catalisador da paixão de milhões de pessoas. O fato é que não haveria essa graça sem as torcidas. E para que a festa persista, é preciso que elas convivam. Pelo menos em Minas Gerais, infelizmente, já não podemos ver as duas torcidas dividindo os espaços do mesmo estádio em um jogo. Que fora dali a gente consiga uma convivência civilizada. Torço pelo Atlético. Observo que nas cores dos dois times, o branco está presente.

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