Projetos do governo federal vão ganhar destaque na gestão Pimentel

Até mesmo o principal programa de distribuição de renda do país terá mais espaço em Minas

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

André Quintão destaca a importância de imprimir um caráter mais social aos programas do governo estadual
Lincon Zarbietti / O Tempo
André Quintão destaca a importância de imprimir um caráter mais social aos programas do governo estadual

Depois de vencer as disputas nacionalmente e também em Minas, rompendo com o domínio do PSDB no segundo maior colégio eleitoral do país, o PT deverá adotar ações semelhantes ao comandar os Palácios do Planalto e Tiradentes. Mostrando alinhamento entre as duas esferas, a partir de janeiro, o novo governador Fernando Pimentel deve ampliar a presença de programas federais no Estado, e aqueles que já contam com a ajuda da União passarão a ser identificados pelos nomes dados pelo governo federal.

Em execução hoje no Estado, o Viva Vida e o Mães de Minas – que visam atender as mães e seus filhos com o planejamento familiar – deverão ser incorporados ao Rede Cegonha, criado nacionalmente pela presidente Dilma Rousseff com o intuito de atender as gestantes em fase de pré-natal. “Essas ações estaduais já são o Rede Cegonha, mas com outro nome. Não tem por que não dar o nome do programa federal”, ressalta uma liderança petista sob a condição de anonimato. Segundo o governo estadual, apenas o Viva Vida recebe hoje ajuda da União. O mesmo discurso se aplica ao Reinventando o Ensino Médio, que foi implantado em Minas com o objetivo de aumentar a carga horária para alunos do ensino médio e prepará-los para o mercado profissional. “Só cria um sexto horário, mas não dá estrutura nem ensina nada de novo”, critica outro petista. Apesar de o programa ser considerado uma ação estritamente estadual, a ideia, segundo a liderança do PT, é explorar cada vez mais o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) em Minas, iniciado em 2011 pelo governo federal para ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. Mesmo já existindo em Minas, o Educação em Tempo Integral também pode sofrer mudanças. A iniciativa deverá contar com as regras adotadas pelo governo federal para ampliar o tempo de permanência na escola para todos os alunos. Hoje, segundo o Executivo mineiro, 110 mil estudantes são beneficiados. Até mesmo o principal programa de distribuição de renda do país terá mais espaço em Minas. O Bolsa Família, como prometeu o futuro governador Fernando Pimentel durante a campanha, deverá contar com um complemento de renda. Enquanto o padrão é pagar por integrante da família R$ 77, os beneficiários mineiros receberão R$ 100, ou seja, R$ 23 virão da administração estadual. O foco no social deverá ser a maior marca da próxima administração estadual, seguindo o tom adotado por Fernando Pimentel durante os três meses de campanha. O novo governador também prometeu desenvolver iniciativas para implementar um governo regionalizado, ou seja, estabelecer ações próprias para cada região do Estado, considerando suas particularidades.

Só técnicos serão aproveitados

A possibilidade de manter quadros do atual governo no próximo ano só deve se aplicar a cargos técnicos do Estado e fora do primeiro escalão. Apesar de ter dado a entender a aliados logo após ser eleito em primeiro turno que nomes da gestão tucana poderiam permanecer, o governador eleito em Minas, Fernando Pimentel (PT), deve colocar seus aliados em todas as secretarias, subsecretarias e cargos de confiança, e aproveitar apenas alguns nomes mais experientes para iniciar a gestão. “O corpo técnico atual tem valores que podem contribuir com o governo do PT. É preciso dar a devida importância aos concursados, como os que vieram da Fundação João Pinheiro e conhecem bem as contas públicas”, afirma um petista. “Mas é pouco provável que alguém do primeiro escalão permaneça. Os aliados vão ocupar esses espaços”, diz. 

Para especialista, mudar nome é estratégia acertada A mudança da nomenclatura dos programas de governo, mesmo que o objetivo do projeto continue o mesmo, é prática recorrente no momento das trocas de comando de uma administração. Segundo o cientista político e professor da Faculdade Rio Branco, em São Paulo, Guilherme Casarões, a ideia dos governantes é sempre imprimir uma “marca” no momento em que assumem. Por isso, ele considera “natural” que novas ideias surjam já nos primeiros atos do governador eleito em Minas, Fernando Pimentel (PT). “Em Minas, se vence o choque de gestão, então Pimentel deve querer criar algo ligado ao social, até para seguir a marca de seu partido e de sua campanha”, analisa o especialista. Independentemente de o petista manter algumas ações iniciadas no governo tucano, na visão de Casarões é provável que, num primeiro momento, as ações inovadoras ganhem protagonismo. “Tem que ser algo que chame a atenção. Se ele mantiver os projetos atuais, eles serão repaginados, já que ele vai querer deixar um legado e uma marca clara de sua gestão”, opina o cientista político. A ausência de uma marca, de acordo com o professor, pode gerar problemas futuros. “É o caso da presidente Dilma Rousseff, que se apegou muito ao Bolsa Família, mas, na campanha, enfrentou até disputa pela paternidade do programa”, comenta. 

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