PT de Minas quer nova identidade para programas

Programas da gestão tucana serão extintos em 2015

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |


Fernando Pimentel deve alterar programas do PSDB e até extinguir alguns
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Fernando Pimentel deve alterar programas do PSDB e até extinguir alguns

Novo ano, novo comando e novas ações. Essa será a tônica da gestão do governador eleito Fernando Pimentel (PT) a partir de 2015, com a mudança e até extinção de programas considerados carros-chefes de 12 anos de gestão tucana em Minas. Petistas ouvidos por O TEMPO admitem a intenção de repaginá-los, o que, em alguns casos, poderá significar uma mudança tão grande que o programa seria extinto para dar lugar a outro. Caminhos de Minas, Poupança Jovem, Mães de Minas e Reinventando o Ensino Médio deverão ser os primeiros a serem revistos a partir de janeiro. Além da intenção de dar um viés mais social às ações administrativas, os petistas querem dar cara nova à gestão e criar, desde o início, uma marca para o governo. Idealizado pelo atual governo para encurtar distâncias e integrar os municípios mineiros, o Caminhos de Minas não é aprovado pelo partido do futuro governador por não ter “saído do papel”. Apesar de a motivação para o programa ser considerada válida, a avaliação é que a forma como ele foi conduzido não deu certo. “É preciso uma revisão. O Estado fez muita propaganda, mas nada foi feito. Tem que estabelecer um cronograma de prioridades, com os prazos de cada obra para cada trecho. Ele tem que dar resultado”, avalia o deputado estadual André Quintão (PT), cotado para secretário de Pimentel. Dos 8.131 quilômetros de pavimentação previstos no projeto, até agora 152 quilômetros passaram por obras. Não há expectativa de que as intervenções tenham andamento até o fim do ano, já que, devido ao aperto de caixa do Estado, algumas ações estão suspensas. Mas, a partir de janeiro, o Caminhos de Minas deverá dar lugar a iniciativa semelhante, mas com outro nome e algumas mudanças. Se o petista é cauteloso ao tratar do Caminhos de Minas, ele não poupa críticas ao Poupança Jovem – programa para reduzir as taxas de evasão escolar. “É preciso um novo acompanhamento das crianças nas escolas, e não algo como o Poupança Jovem, que atinge tão poucos municípios”, critica Quintão. Das 853 cidades mineiras, apenas nove participaram do programa. Quem também faz fortes críticas ao Poupança Jovem é o futuro líder do governo na Assembleia, Durval Ângelo. Segundo ele, “o projeto já mostrou que atinge poucas pessoas” e que é preciso fazer “programas que sejam de fato realizados”. O vice-líder do atual bloco de oposição na Assembleia, Rogério Correia, vê “poucas chances” de algum programa ser mantido. “A marca do PSDB é a ausência de ações efetivas”, alfineta.

Transição Integrantes da equipe de transição adotam cautela ao tratar da futura administração do Estado. Para o coordenador do grupo, Marco Antônio Rezende, é preciso analisar cada projeto antes de tomar decisões sobre o destino que terão em 2015. “Estamos recolhendo os documentos sobre cada programa para analisarmos um por um”, afirma.

Situação das obras Faltando menos de dois meses para o fim do governo, os números de alguns programas destacados da atual administração mostram que não será possível cumprir totalmente a meta planejada inicialmente. Dentre o leque de projetos desenvolvidos pelo Executivo mineiro, ao menos quatro não conseguiram cumprir o planejamento inicial do Estado. Na maior parte deles, os recursos investidos foram menores do que os previstos. Um deles é o Viva Vida. Segundo o governo do Estado, para o ano de 2014 a previsão de investimentos é de R$ 99,2 milhões. Até o fim de outubro, 87% desses recursos foram aplicados. Ou seja, em dois meses será necessário aplicar mais de R$ 12 milhões nessa ação. Situação semelhante ocorre com o Mães de Minas, também na área da saúde. A previsão de investimento para 2014 é de R$ 22,3 milhões, mas, até o momento, foram aplicados em torno de R$ 10 milhões. O Estado já admite a paralisação de algumas obras devido à espera na liberação de recursos oriundos de operações de crédito. Tanto que funcionários contratados via Minas Gerais Administração e Serviços (MGS) estão sendo devolvidos à empresa em função do encerramento de contratos de prestação de serviços e da suspensão de projetos. Até o fim do ano, é preciso que o Estado esteja em dia com as contas.

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