‘Até ONU diz que prisão é medieval’, diz Pizzolato

Ex-diretor do BB recebeu neste sábado os documentos apreendidos em fevereiro, quando foi preso

iG Minas Gerais |

Agora, Pizzolato tem os mesmos direitos de um italiano livre
Reprodução / TV Globo
Agora, Pizzolato tem os mesmos direitos de um italiano livre

Genebra e La Spezia. Henrique Pizzolato reapareceu em público neste sábado, ao ir à delegacia de La Spezia buscar documentos apreendidos em fevereiro. Desde que teve a extradição negada pela Itália no mês passado, sob alegação de que o Brasil não oferece condições de segurança para o cumprimento da pena de 12 anos e 7 meses a que ele foi condenado no julgamento do mensalão, o ex-diretor do Banco do Brasil tem os mesmos direitos de um italiano livre.

Vestindo jeans e um casaco cinza, ele foi ao local acompanhado da mulher Andrea Haas. O Ministério Público de La Spezia, na Itália, já havia anunciado que devolveria a identidade, único documento italiano em nome dele que está apreendido na Itália.

Sem a carteira de identidade, Pizzolato não pode, por exemplo, viajar de avião, hospedar-se sozinho em hotéis, alugar um imóvel em seu nome nem conduzir qualquer trâmite burocrático, porque o único documento que ele possui é um alvará de soltura que não tem valor como identidade. O documento estava apreendido desde o dia em que ele foi preso, em 5 de fevereiro.

No Brasil, Pizzolato já foi indiciado por falsidade ideológica por ter usado documentos em nome de seu irmão Celso Pizzolato, morto em 1978, para fazer passaportes e fugir para Europa.

Antes de entrar no prédio, Henrique Pizzolato disse que não falaria com jornalistas brasileiros, mas por 30 minutos reiterou sua inocência e disse que até a ONU considera presídios brasileiros “medievais”. Ao ser questionado sobre os momentos difíceis que teria vivido na Itália, Pizzolato disse que viveu melhor que na época em que estava no Brasil. “Lá eu não poderia sair do apartamento. As pessoas me agrediam, me molestavam”.

Ele disse se sentir uma vítima da “má justiça do Brasil”. “A liberdade de imprensa não se pode confundir com a liberdade de calúnia”.

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