Empreendedorismo no morro

Iniciativa passou pelo Aglomerado da Serra e será levada à Pedreira Prado Lopes, entre outros

iG Minas Gerais | Marco Corteleti |

Alto Vera Cruz. Elis Regina Teixeira e Débora Ferreira tiveram aumento de 40% no número de clientes, que vêm até de outras cidades
NIDIN SANCHES / O TEMPO
Alto Vera Cruz. Elis Regina Teixeira e Débora Ferreira tiveram aumento de 40% no número de clientes, que vêm até de outras cidades

Ter o próprio negócio e depender apenas dele para progredir na vida era um desejo acalentado há muitos anos por Elis Regina Santos Teixeira, 31. Cozinheira por necessidade e cabeleireira por opção, ela trabalhou preparando alimentos por quatro anos em um hospital até conseguir, no início do ano, formalizar seu salão de beleza, que funcionava na informalidade desde 2010.

Esse passo importante está sendo complementado pela participação de Regina e da sócia, Débora Ferreira, no programa Desenvolvimento do Empreendedorismo em Morros e Favelas, implantado pelo Sebrae Minas na região do Alto Vera Cruz, bairro onde está localizado o salão de ambas, o Beleza Pura. O objetivo do programa é oferecer, gratuitamente, capacitação técnica e gerencial para os empreendedores, além de informações sobre formalização para quem planeja abrir um negócio. A iniciativa começou no Aglomerado da Serra, em 2010, e será desenvolvida na Pedreira Prado Lopes, no Morro das Pedras e no Barreiro nos próximos anos. Regina e Débora começaram a frequentar os cursos do Sebrae há dois meses. Apesar do pouco tempo, as mudanças implantadas em função das orientações recebidas já deram resultados. “Detectamos aumento de 40% no número de clientes, que vêm até de outras cidades, como Raposos e Ibirité”, conta Regina. Oferecer lanche para as clientes que passam muito tempo no salão e ligar para as que deram uma “sumida” estão entre as ações que ambas começaram a adotar após as os cursos. “Essa postura mais atenciosa refletiu positivamente no nosso negócio”, destaca Débora. “Também recebemos orientações importantes sobre a higiene do salão, que inclui esterilização do material de trabalho”, afirma. Empréstimo. Engana-se quem pensa que um comerciante já experiente e bem-sucedido não possa precisar de orientações sobre a gestão da sua empresa. Um bom exemplo é Gilmar de Souza Lima, 57, proprietário da Beth Papelaria, também no Alto Vera Cruz. Lima conta que as informações fornecidas pela instituição de apoio aos pequenos e microempresários foram determinantes para que ele pudesse conseguir um empréstimo em condições vantajosas, utilizado na ampliação do seu negócio.

Mulheres são maioria à frente das lojas de vestuário na área As mulheres são maioria à frente de lojas de artigos de vestuário, segmento predominante na região do Alto Vera Cruz, onde o projeto do Sebrae acontece. “Isso se deve ao fato de as mulheres precisarem permanecer mais próximas de suas famílias e acabarem optando por atividades com baixa barreira de entrada e conhecimento específico, gerando oferta nem sempre adequada à demanda”, constata a analista do Sebrae Minas, Márcia Valéria. O bairro Alto Vera Cruz apresenta a maior concentração de estabelecimentos formais, com 322, seguido pelo Conjunto Taquaril (196) e Taquaril (149), também alvos do programa. Na região, 79% das empresas são constituídas na categoria de Microempreendedor Individual, com faturamento anual de até R$ 60 mil. O comércio varejista representa 35% dos negócios, com destaque para os segmentos de vestuário e acessórios (23%), lojas de material de construção (12%) e minimercados (8%).

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