Parecer do conselho fiscal da Usiminas é agora questionado

Ternium pode processar titular do conselho de administração

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Controvérsia. 
Paulo Penido diz que conselho fiscal da empresa extrapolou e já procurou advogados
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Controvérsia. Paulo Penido diz que conselho fiscal da empresa extrapolou e já procurou advogados

A disputa de acionistas na Usiminas teve um novo capítulo. O conselheiro fiscal da companhia, indicado pela sócia japonesa Nippon Steel, Masato Ninomiya, encaminhou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na última sexta-feira, questionamentos sobre parecer divulgado no dia 28 de outubro, data em que houve reunião do conselho fiscal.

Ninomiya informou à CVM que se recusou a assinar um parecer aprovado em reunião do órgão, cuja pauta era a avaliação das atas das reuniões do conselho de administração, entre elas, os votos da reunião que aprovaram a demissão de três dos principais executivos da empresa.

De acordo com ele, os membros do conselho fiscal tiveram apenas sete dias para analisar 660 páginas de documentos.

A ata da reunião do dia 28 de outubro, assinada pelo presidente do conselho fiscal, Paulo Frank Coelho da Rocha e outros quatro conselheiros, diz que o pagamento dos benefícios (bônus), que foram utilizados por executivos da empresa e que foi dos motivos do afastamento do cargo dos mesmos, foi aprovado pelo conselho de administração e que as afirmações de irregularidades foram precipitadas, tendenciosas e baseadas em exame superficial dos documentos.

Já o presidente do conselho de administração da Usiminas, Paulo Penido, alega que auditorias confirmaram as irregularidades. “Eles devolveram parte. Está tudo comprovado pelas auditorias. Não é possível pegar empréstimo na empresa, o que é proibido por lei”, diz.

Entretanto, o conselho fiscal defende que os relatórios de auditoria não são conclusivos e sobre o voto de Penido, a ata lança dúvidas sobre a isenção do presidente do conselho.

Na última sexta-feira, Paulo Penido voltou a questionar a atuação do conselho fiscal. “Para a minha surpresa, foi emitido um parecer me atacando. O conselho fiscal questiona decisões do conselho de administração. Aliás, são decisões do conselho de administração e não minhas. Eles estão extrapolando suas funções”, ressalta.

Penido frisou que foi eleito por unanimidade e que todas as suas decisões são baseadas no melhor para a empresa. “Tenho o dever de agir com diligência, de verificar o que está acontecendo e tomar medidas com o objetivo do que é melhor para a Usiminas. Não posso ser omisso”, diz.

Um dia antes, a sócia argentina Ternium informou, em comunicado oficial, que irá adotar “medidas judiciais cabíveis para promover a responsabilização de Paulo Penido” em relação à destituição de três executivos da Usiminas, em setembro. Naquele dia, houve reunião do conselho de administração.

O presidente do conselho de administração da siderúrgica afirmou que ficou surpreso e diz que espera que o processo não seja concretizado. “Agora, caso ocorra, irei tomar as medidas necessárias. Já procurei ajuda jurídica. Aliás, desde que a situação começou a se complicar na empresa com a disputa, já contratei dois advogados de um importante escritório de São Paulo”, diz.

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