Alemanha ainda busca seu equilíbrio 25 anos pós-muro

Barreira que separava a cidade em duas foi aberta oficialmente no dia 9 de novembro de 1989

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Morador da antiga Alemanha Ocidental usa uma marreta para tentar derrubar o muro que, até 1989, dividia Berlim em duas
JOHN GAPS III
Morador da antiga Alemanha Ocidental usa uma marreta para tentar derrubar o muro que, até 1989, dividia Berlim em duas

Há exatos 25 anos, o mundo contemporâneo ganhava seus primeiros contornos. Com a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, em 9 de novembro de 1989, teve início um ciclo de grandes mudanças para a Alemanha e para o mundo.

A barreira dividia a Alemanha em duas partes – a Ocidental, capitalista, e a Oriental, socialista. O muro dividiu também dezenas de milhares de famílias, que, durante cerca de quatro décadas, não podiam passar de um lado para o outro.

“A queda do muro foi um evento histórico que ninguém estava esperando. Foi uma grande surpresa para todos os que moravam na Alemanha”, diz a O TEMPO o pesquisador Jochen Staadt, da Universidade de Berlim. Ele morava na Alemanha Ocidental na época da queda do muro e participa de um instituto de pesquisa sobre a história do país após 1945.

“Eu estava em um bar próximo jantando com um amigo, e, de repente, uma pessoa entrou pela porta dizendo que o muro estava aberto. Peguei minha bicicleta e fui até lá. As outras pessoas foram a pé. Na fronteira, víamos aqueles carros muito velhos vindos do lado oriental, e todas as pessoas queriam saber onde era o centro de compras, elas queriam ir às lojas”, relembra.

As maiores mudanças, segundo ele, foram sofridas pelos moradores do lado oriental. Eles, que viveram sob um regime ditatorial por mais de 40 anos, precisaram reaprender a fazer a gestão da própria vida. “Eles não sabiam como fazer compras, como escolher e contratar planos de seguros, precisaram entender como funcionava o livre mercado”, explica Staadt. Muitos deles perderam seus empregos nas repartições públicas do governo da Alemanha Oriental.

Os quase 25 anos passados desde a reunificação do país (oficializada em 3 de outubro de 1990) ainda não foram suficientes para equalizar a situação. “Hoje em dia, temos uma divisão que é também norte-sul. O sul, onde as grandes indústrias estão, é mais desenvolvido. Já o norte, onde a economia se baseia no agronegócio, tem mais regiões pobres”, diz o pesquisador. Do ponto de vista social, pesquisas na região oeste de Berlim mostram que as pessoas consideram mais importante a liberdade. Já na região leste, a igualdade social é apontada como mais importante.

No mundo. A queda do Muro de Berlim também teve consequências internacionais. “Havia uma expectativa de que, com o fim da divisão do mundo em duas partes, os problemas de segurança estariam resolvidos. Apesar de isso não ter se mostrado totalmente verdadeiro – pois agora o ‘inimigo’ está mais pulverizado nos grupos terroristas –, a mudança foi importante para abrir espaço para outros temas na agenda internacional”, explica Délber Lages, professor de relações internacionais da PUC Minas.

Segundo Lages, com essa crença de haver chegado a uma solução da pauta da segurança internacional, assuntos como o meio ambiente e os direitos humanos ganharam espaço para serem debatidos. A economia também foi beneficiada. “Na década de 90, vimos a criação de várias organizações de comércio, como a União Europeia, o Mercosul e a Organização Mundial do Comércio (OMC)”, lembra.

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