Gangue confessa morte de alunos

Desaparecidos desde setembro, os 43 estudantes tiveram os corpos queimados

iG Minas Gerais |

Revolta. Milhares de mexicanos foram às ruas da Cidade do México para protestar contra o crime
Marco Ugarte/AP
Revolta. Milhares de mexicanos foram às ruas da Cidade do México para protestar contra o crime

Cidade do México. O presidente do México, Enrique Peña Nieto, prometeu punir todos os responsáveis pelos crimes relativos ao desaparecimento de 43 alunos da escola normal rural de Ayotzinapa. A promessa foi feita após o procurador-geral da República do país, Jesús Murillo Karam, informar que três homens suspeitos de ser integrantes do cartel Guerreros Unidos confessaram ter matado os estudantes e queimado seus corpos.

Na Cidade do México, Peña Nieto declarou que as informações do procurador-geral indignam toda a sociedade mexicana. “Todos os culpados serão castigados no marco da lei. Asseguro que não retrocederemos até que se faça justiça”, afirmou.

O ataque. Os 43 jovens sumiram no dia 26 de setembro, depois de arrecadar fundos para a escola em Iguala. Na saída da cidade, dois ônibus que voltavam à instituição com os alunos foram alvejados por policiais e traficantes do Guerreros Unidos. De acordo com os três pistoleiros, os estudantes foram levados durante a noite, em três veículos, para o lixão da cidade vizinha de Cocula, onde cerca de 15 já chegaram mortos por asfixia. No local, os outros foram assassinados.

Os corpos foram empilhados e cobertos com pneus e lenha e molhados com gasolina e óleo diesel para depois serem incendiados. As cinzas resultantes da queima foram colocadas em bolsas e atiradas no rio San Juan, que passa pela cidade.

Os suspeitos foram identificados como Particio Reyes, Jonathan Osorio e Agustín García Reyes.

Segundo a Procuradoria-Geral do México, os detidos não disseram quem levou os estudantes e quem era o mandante da emboscada. O órgão, porém, acredita que o responsável seja o prefeito de Iguala, Jose Luis Abarca, preso na última quarta-feira.

A intenção seria evitar que os alunos atrapalhassem um evento em que sua mulher, María de los Ángeles Pineda, seria lançada como candidata a sucedê-lo. A mulher de Abarca é irmã de três chefes do Guerreros Unidos.

Famílias

Esperança. Parentes das vítimas disseram não acreditar na versão do procurador-geral e pediram que o material recolhido seja analisado por peritos independentes.

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