Química é a vilã do candidato

Primeiro dia teve pais ansiosos e candidatos atrasados, mesmo com trânsito tranquilo em Belo Horizonte

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

PUC Minas. Universidade foi um dos 167 pontos de aplicação do exame em Belo Horizonte
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
PUC Minas. Universidade foi um dos 167 pontos de aplicação do exame em Belo Horizonte

O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Belo Horizonte teve candidatos atrasados, pais ansiosos, eliminações e uma prova de química que gerou reclamações da maioria dos estudantes que tentam uma vaga no ensino superior. Em Minas, 980 mil pessoas se inscreveram para a prova.

Dessa vez o trânsito não foi problema nos 167 locais de avaliação da capital. Apesar de pequenas retenções no entorno das universidades e escolas, não houve registro de lentidão nos principais corredores da cidade. Mesmo assim, muitos candidatos chegaram atrasados. No campus Coração Eucarístico da Pontifícia Universidade Católica (PUC Minas), pelo menos 20 estudantes chegaram depois que os portões foram fechados, às 13h01. A maioria dos atrasados colocou a culpa no transporte público. “Eu saí 11h45 do (bairro) Floresta. Fiquei esperando o ônibus 9410 (Sagrada Família/Coração Eucarístico) que me traria direto. Mas ele demorou demais e eu fui para o centro para ter mais opções. Cheguei lá por volta de 12h15. Só que nenhum ônibus passou e no desespero tentei pegar um táxi, mas mesmo assim não deu para chegar”, contou Igor Alves, 21, que iria tentar uma vaga no curso de artes cênicas, pelo segundo ano consecutivo. Candidato ao curso de geologia, Artur Martins, 21, também afirmou que o ônibus motivou o atraso. “Saí cedo de casa, mas o ônibus demorou demais para passar”. No esquema da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), houve reforço para a região da PUC Minas apenas da linha 5401 (São Luis/Dom Cabral). A 9410, 4111 (Dom Cabral/Anchieta) e 4110 (Dom Cabral/Belvedere), que também atendem a região, não tiveram reforço. Prova. Os candidatos só puderam deixar os locais de prova depois das 15h. Nesse primeiro dia de Enem, eles responderam a 90 questões das áreas de ciências humanas e da natureza, que compreendem história, geografia, biologia, química e física. A reclamação geral foi por causa da prova de química. “Estava bem mais difícil do que eu esperava. Todas as questões de química cobravam um nível alto de conhecimento do candidato”, argumentou Guilherme de Oliveira,18, que pretende cursar publicidade. Candidata ao curso de direito, Beatriz Hoelzele, 18, também considerou a prova de química a mais difícil. “Para mim, química e física estavam bem complicadas”. Depois da maratona deste sábado, neste domingo é dia dos candidatos enfrentarem as provas de português, língua estrangeira e matemática. É o dia também da redação. 

Morte antes do exame Em Olinda (PE), o Enem foi marcado pela morte da candidata Edivânia Florinda de Assis, 32. Ela faria a prova na unidade 2 do Colégio Santa Emília, mas foi para a unidade 1. Após perceber o engano, ela correu para o prédio certo, mas ao entrar na unidade, desmaiou. Ela chegou a ser reanimada, mas não resistiu. A causa da morte foi um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Em nota, o Ministério da Educação lamentou a morte.

Pé na estrada para apoiar a filha O casal Seia Garcia, 50, e Uilton Temponi, 56, pegou a estrada e viajou 360 km para estar do lado da filha que tenta realizar o sonho de se tornar médica. Eles saíram de Santa Maria de Suaçuí, no Vale do Mucuri, e vieram para Belo Horizonte acompanhar Camila Garcia, 21, que tenta uma vaga na universidade. Apesar do curso concorrido, ela se mostrou confiante. “Me preparei muito bem e espero tirar uma nota alta. A presença dos meus pais me deixa mais tranquila”, disse.

Desespero A secretária Renata Portela, 41, largou um compromisso e saiu correndo no meio da avenida Amazonas. Sem dinheiro para o táxi, pediu carona a um desconhecido. Ela conseguiu chegar na PUC Minas dois minutos antes do portão ser fechado e, apavorada, passou pelos seguranças para entregar a carteira de identidade que o filho havia esquecido. Em prantos, ela voltou para casa aliviada por ter conseguido ajudar Gabriel Portela, 18, na busca por uma vaga no curso de jornalismo.

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