Futebol é mistério

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Entendo, mas queria compreender, a razão de tanta surpresa, estranheza, estardalhaço, com a final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Atlético, já que, há décadas, estão entre as principais equipes brasileiras, mesmo sendo a primeira decisão nacional entre as duas. No próximo ano, poderemos ter, novamente, uma decisão de dois times do mesmo Estado, inclusive a final atual. Queria compreender a razão de tantas viradas heroicas do Atlético, como se fosse possível criar uma lógica, um padrão, para algo tão extraordinário, ou como se o acaso acontecesse várias vezes seguidas. Futebol é mistério, o restante é razão. Antes da partida, alguns diziam que seria impossível o Flamengo, com Luxemburgo, fazer um gol e sofrer quatro. Mano Menezes está aliviado, pois não foi só com ele que aconteceu. Queria compreender a razão de tanto barulho com a escalação do Atlético com apenas um volante mais marcador, pois, há muito tempo, é frequente nas grandes equipes da Europa. Os times brasileiros, como o Atlético de Cuca, precisavam de dois volantes apenas marcadores por causa dos chutões, dos lançamentos longos da defesa para o ataque, e porque os meias não voltavam para marcar. O Atlético atual continua com a mesma vibração do time vencedor da Libertadores. Gosto mais do Galo Doido de Levir Culpi, que troca mais passes, do que do de Cuca. Isso não significa que todas as equipes tenham de jogar dessa forma. O Cruzeiro, o melhor time brasileiro, tem dois volantes que marcam muito e que têm um bom passe. Porém, mesmo em seus melhores momentos, sempre achei que o time ficaria ainda melhor se tivesse um volante mais leve, mais habilidoso, como Aránguiz, do Inter, ou Elias, do Corinthians. Queria compreender as diferenças entre o Cruzeiro, um time pronto, sólido, definido na maneira de jogar, e o Atlético, uma equipe que vive mais de espasmos espetaculares. Isso não impede que, em alguns momentos, o Cruzeiro tenha sobressaltos e que o Atlético jogue um futebol linear. Queria compreender as diferenças entre os dois técnicos. Marcelo é mais racional, comedido, previdente. O Levir atual, que dizem ser diferente do Levir de antes, é mais passional, surpreendente. Eles estão nos lugares certos. Paulo Autuori, com sua fleuma de lorde inglês, não poderia dar certo no Galo. Queria compreender a razão de um grande clássico ter apenas uma torcida. Isso é um atestado de falência da sociedade, aterrorizada com tanta violência, e do estado, incapaz de combater a violência urbana, dentro e fora dos estádios. Entendo a preferência do Atlético pelo Independência, mas os grandes espetáculos deveriam ser nos grandes palcos. Queria compreender muitas coisas que acontecem comigo, no futebol, no meu país e no mundo. Já desisti de algumas delas.

Jogos decisivos

Antes do clássico de quarta-feira, pela Copa do Brasil, o Cruzeiro precisa vencer, hoje, o Criciúma, para manter, no mínimo, a diferença de cinco pontos no Brasileirão. Marcelo, como tem feito muito bem, vai saber poupar um ou outro jogador, de acordo com as informações técnicas, científicas, passadas pela comissão técnica. Como o São Paulo joga antes do Cruzeiro, Marcelo, certamente, vai estar de olho no resultado e, dependendo disso, pode mudar mais ou menos a equipe. O Atlético jogaria ontem, contra o Palmeiras, fora de casa. É um jogo também importante para as pretensões do Galo de conseguir vaga na Libertadores, caso não ganhe a Copa do Brasil.

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