Orçamento baixo e limitação artística

Em contrapartida, o presidente da FMC, Leônidas Oliveira, atesta que “houve um acréscimo de 40% no orçamento da cultura, direto e indireto, de 2012 para 2013, e a execução orçamentária foi de 107%” nesse período

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Apesar do expressivo aumento de público dos centros culturais e da importância deles no processo de descentralização e consequente abrangência cultural na cidade, um dos principais problemas enfrentados pelos gestores dos espaços ainda é o dinheiro. Isso porque, há pelos menos três anos, todos os 15 centros deixaram de receber uma verba direta, de aproximadamente R$ 3,5 mil anuais para organização de festivais, festas populares e outros eventos culturais, e passaram a ser reféns de editais e licitações para promover as manifestações artísticas.  

A gerente do Centro Cultural Lagoa do Nado, Joana Guimarães, explica que apesar de pouco dinheiro, a verba dava certa independência para que os gestores pudessem organizar suas atividades com personalidade. “Desde 2010 esse dinheiro parou de chegar, porque o governo alega que os projetos de editas e licitações que financia já são os eventos oficiais que temos que ter. Ou seja, tudo o que fazemos fora os projetos oficiais, é feito através de parcerias, boa vontade, troca, camaradagem e muito esforço coletivo”, diz. Como não têm verba própria, os centros culturais precisam de autorização da Fundação Municipal de Cultura (FMC) para qualquer necessidade, desde comprar uma lâmpada nova até fazer uma reforma necessária em algum espaço.

Em contrapartida, o presidente da FMC, Leônidas Oliveira, atesta que “houve um acréscimo de 40% no orçamento da cultura, direto e indireto, de 2012 para 2013, e a execução orçamentária foi de 107%” nesse período. Segundo ele, quase a metade do valor total do fundo de cultura, cerca de R$ 3,5 milhões dos R$ 9 milhões acumulados, foram investidos especificamente em programas de descentralização, como Cena da Música, Territórios Criativos, Descontorno Cultural, Descentra Cultura e o Arena da Cultura – todos programas da própria prefeitura, que só podem acontecer mediante a editais e licitações.

“Hoje, 40% do orçamento está comprometido com os centros culturais – há dois anos, era apenas 20%. Aumentamos todos os investimentos. O Arena da Cultura terá 30% a mais no orçamento, assinei o contrato na sexta-feira (dia 3), e o projeto terá R$ 4,5 milhões para o ano que vem. O Descentra, por sua vez, eu quero chegar a um orçamento de R$ 2 milhões para 2015, porque este ano tivemos mais de 300 projetos inscritos e precisamos financiar muito mais gente de talento ainda”, justifica Oliveira. 

Mudança PPL. A FMC informou que o Centro Liberalino Alves, fechado desde janeiro de 2009 devido a problemas estruturais de um imóvel na Pedreira Prado Lopes, está em funcionamento no Mercado da Lagoinha há dois meses.

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