Espalhando a arte

Crescimento de 200% de público dos centros culturais amplia opções artísticas

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Memória. Joana Guimarães, do Centro Cultural Lagoa do Nado, prepara uma exposição para contar a história de luta do espaço que vai se chamar Centro Cultural de Referência Popular
Alex de Jesus
Memória. Joana Guimarães, do Centro Cultural Lagoa do Nado, prepara uma exposição para contar a história de luta do espaço que vai se chamar Centro Cultural de Referência Popular

Embora pouca gente saiba, não é de hoje que a cena cultural de Belo Horizonte ultrapassou os limites da avenida do Contorno. Numa época de ocupação de praças, reutilização do espaço público e ativismo forte em prol do fortalecimento da descentralização cultural, a população se organiza para ter cultura perto de casa. Um dos melhores exemplos disso são os 15 centros culturais da Prefeitura de Belo Horizonte, que tiveram crescimento de público de mais de 200% nos últimos dois anos, e se tornaram carros-chefes de um anseio popular antigo, mas que parece se colocar em plena efervescência agora.

Espalhados pelas nove regionais da cidade (veja o mapa na página 7), os centros culturais começaram a nascer há 20 anos, mas ganharam força a partir de 1998, com vários espaços aprovados através do Orçamento Participativo, ou seja, a vontade popular. Hoje, apesar de ainda pouco divulgados, eles oferecem, além de bibliotecas e acesso à internet, uma gama enorme de oficinas de violão, artes plásticas, yoga, dança, capoeira, artes marciais, hip hop, saraus, festivais de música: tudo de graça. Porém, apenas há dois anos eles tiveram o maior boom de público de sua história. Só no ano passado, todos os centros atenderam 2.757.684 pessoas, enquanto o público de 2012 foi de 858.2902 – um aumento de 201,33%, segundo dados da Fundação Municipal de Cultura (FMC).

Para Leônidas Oliveira, presidente da FMC, a explicação é simples: a vontade popular de atingir um nível que parecia intocável. “As pessoas passaram a querer outras opções no quintal de casa, além dos grandes teatros e mega shows, que infelizmente são inacessíveis para muita gente e concentrados na região central. É uma história de luta pela descentralização”, opina.

Para ver essa história de perto, o Magazine visitou dois dos principais centros culturais da cidade. Pioneiro, o Centro Cultural Lagoa do Nado foi fundado em 1992, após uma pressão popular que conseguiu transformar uma fazenda de 3.000 m² em espaço dedicado à arte e ao lazer – e que inicialmente seria destinada à construção de um condomínio particular. A partir do dia 14 de dezembro, o local visitado mudará o nome para Centro Cultural de Referência Popular.

Uma visibilidade que o Centro Cultural Vila Fátima sente através de Eriberto da Silva, 24, conhecido como MC Beto, que após frequentar as aulas de rap com Kdu dos Anjos, acaba de inaugurar ó Centro Cultural da Favelinha, na Serra. “O Vila Fátima me deu base para sonhar, e agora achamos um espaço mais central na Serra para trazer a galera do rap para cá. Ontem eu não era ninguém, hoje sou professor”, diz Beto.

Da mesma forma, o Centro Cultural Alto Vera Cruz conquistou status de referência na formação cultural ao ter o rapper Renegado como principal expoente do espaço. “Quando eu era adolescente, uns 14, 15 anos, fiz pressão para o pessoal votar pelo centro cultural no Orçamento Participativo. Hoje, toda a comunidade sabe o quanto ele é importante, porque o centro forma seres humanos que, quando conseguem pintar um quadro ou gingar numa roda de capoeira, se sentem parte do mundo e com possibilidades de ir além”, diz.

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