Sem pressa de BH até o mar

Pelas janelas dos trens passam natureza e história

iG Minas Gerais | Eduardo Maia |

O vagão restaurante na Estrada de Ferro Vitória-Minas
Eduardo Maia/Agência O GLOBO
O vagão restaurante na Estrada de Ferro Vitória-Minas

O movimento é intenso pouco antes das 7h de uma segunda-feira na estação Pedro Nolasco, em Cariacica, na Grande Vitória. Passageiros se enfileiram para embarcar no trem que irá passar as próximas 13 horas sobre os trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas até chegar ao centro de Belo Horizonte. Operada pela Vale, é a maior linha de passageiros com saídas diárias do país, com 30 paradas ao longo de 664 km pelos Estados de Espírito Santo e Minas Gerais.

Em agosto, a frota foi totalmente renovada: dos vagões da classe executiva aos da econômica, passando pelo reservado às pessoas com necessidades especiais e os vagões restaurante e cantina, importados da Romênia.

Cada vagão executivo leva até 57 passageiros, em duas fileiras, uma com duas poltronas e outra com uma. Já um carro econômico tem espaço para 75 pessoas, em duas fileiras duplas de assentos mais simples e não reclináveis, porém confortáveis. Ambas as classes são climatizadas. Entre as duas, há o vagão-restaurante, com mesas para quatro pessoas, onde é servido almoço e jantar, e o vagão-lanchonete.

Sem pressa

Comparada com o transporte rodoviário, a viagem é mais longa (13 horas contra 9h30m). Apesar de não reclinarem (o assento apenas desliza um pouco para a frente), as poltronas da classe executiva do trem são mais largas e confortáveis que as de um ônibus. E, em uma velocidade média de 60 km/h, a viagem de trem é mais suave que a do ônibus, por estradas nem sempre bem-conservadas.

Não há sistema de entretenimento a bordo. O ambiente encoraja a interação, e é fácil puxar assunto com os vizinhos de vagão. Na classe executiva, há tomadas para celulares, tablets e laptops. Mas a melhor distração é mesmo observar a paisagem pelas janelas.

O trem da Estrada de Ferro Vitória-Minas, que existe desde 1907, é um dos dois únicos serviços de passageiros de longa distância em funcionamento no Brasil. O outro, com 892 km em 16 horas de duração, é o trem da Estrada de Ferro Carajás, também operado pela Vale, que liga São Luís do Maranhão a Parauapebas, no Pará.

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