Tecnologia nas artes cênicas

Depois de quase três anos de pesquisas, Giramundo traz versão final de autômatos da peça “Torres Andantes”

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Ainda sem data para estrear em BH, alguns bonecos de
Giramundo/Divulgação
Ainda sem data para estrear em BH, alguns bonecos de "Torres Andantes" estarão no museu do Giramundo

Em 2011, o grupo Giramundo, conhecido por seus espetáculos cênicos de bonecos gigantes, começou uma parceria com o festival Sesi Bonecos do Mundo. A parceria envolvia a apresentação do espetáculo “Torres Andantes” no evento, assim como a pesquisa de novas tecnologias para movimentar os carros durante o espetáculo, que acontece na rua.

“A equipe do Sesi nos solicitou uma espécie de desfile de bonecos pela rua, algo bastante comum em Olinda, tal qual em outras cidades no Brasil e no exterior. Lembro, por exemplo, de bonecos utilizados na década de 1970 em manifestações de caráter político contrárias à guerra do Vietnã”, comenta o diretor da peça, Marcus Malafaia.

Segundo ele, o desafio do pedido estava no ineditismo de encenar um espetáculo sobre carros que se movimentam. “Já trabalhamos com peças em diversos formatos, incluindo bonecos gigantes e carros alegóricos. Mas, ali, teríamos que fazer teatro móvel: uma ideia muito interessante na hora de conversar, mas que mudava de figura durante a realização”, comenta o diretor.

Fato é que o novo projeto transformou-se em uma série de desafios que, nos últimos anos, levaram o grupo a diversas tentativas de aprimorar os carros de forma que o desempenho deles não atrapalhasse a performance do espetáculo. Dessa necessidade, nasceram sete carros enormes – com dimensões entre 3,5 e 5 metros –, que eram impulsionados a pedal pela parte interna, em vez de puxados pelo lado de fora. “Essa é nossa quarta tentativa para esta versão dos bonecos – e é a definitiva”, garante Malafaia, que ressalta os altos custos envolvidos na empreitada.

Boa parte dos motivos para o gasto se relaciona aos vários testes e também ao material e capital humano reunido para chegar ao resultado final, que falsamente pode parecer simples a olhares menos atentos. “Os reforços mecânicas foram muitos. Mudamos o sistema de direção dos veículos, assim como incluímos várias peças de carros, a exemplo de correia, eixos, diferencial, freio de mão e até retrovisores. Do ponto de vista estrutural, abandonamos a solda comum e passamos a utilizar a solda industrial. Tudo isso foi feito em parceria com a Universidade Fumec, que também nos ajudou a pensar em um design sustentável”, diz Malafaia. A supervisão das mudanças estruturais e da produção dos protótipos foi feita por João Giarolla.

Na visão do diretor, isso fez com que os responsáveis por mover os carros acabassem participando mais do espetáculo, cuja duração é de 40 minutos. “O piloto acabou se tornando um ator, pois move o carro com sua própria energia. Agora, é preciso ser ‘casca-grossa’, porque a demanda de força é muito grande e constante. Eles têm que estar bem preparados fisicamente”, comenta.

Entre as novidades, estão também uma bateria elétrica, que permite incorporar aos modelos recursos de iluminação por LED, possibilitando a apresentação do cortejo durante a noite. Também foi possível executar a música ao vivo – atualmente, dois MCs acompanham o grupo. “Eu acho que é difícil encontrar algo semelhante nos dias de hoje”, arrisca Malafaia.

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